A discussão sobre necropolítica ganha contornos ao se observar como favelas e periferias são tratadas como espaços de exceção no Rio de Janeiro. A ideia central: o exercício da soberania envolve decidir quem pode viver e quem deve morrer, segundo o pensamento de Achille Mbembe.
Segundo a análise, não é apenas a ausência do Estado que marca esses territórios: há convivência entre diferentes formas de poder armado que administram a morte. A cidadania fica suspensa e a vida diverge entre comunidades.
O texto aponta que a presença do Estado se dá, principalmente, pela força policial, com operações militares que tratam áreas inteiras como hostis. Direitos constitucionais aparecem como negociáveis, com escolas e serviços impactados.
Ao lado do Estado, atuam facções do tráfico que impõem uma ordem paralela, regulando circulação, conflitos e punições. A morte funciona como instrumento disciplinar e linguagem de poder.
As milícias aparecem como síntese dessa lógica, ligadas a agentes do Estado e voltadas ao lucro. O controle territorial viabiliza a cobrança de renda, fazendo da ameaça de morte um mecanismo de coerção.
No centro, moram os moradores das comunidades: cidadãos que vivem sob a insegurança diária para trabalhar, estudar e circular. A vida cotidiana é moldada pela presença de forças externas ao seu controle.
Contexto internacional
A análise cita Gaza, com cercos e restrições de circulação, destacando uma lógica comum de territórios onde a vida vale menos. O apartheid sul-africano também é citado como referência histórica de segregação institucional.
Caminhos de mudança
A reflexão aponta que mudanças estruturais são possíveis. Experiências como a transformação de Medellín mostraram que políticas sociais e urbanas podem transformar o horizonte de futuro das populações locais, reduzindo a dependência da coerção.
Lições para o Rio
A ideia central é que a segurança pública precisa ir além de operações armadas. Políticas universais, cidadania efetiva e presença estatal orientada à vida são destacados como caminhos para romper a necropolítica.
A conclusão enfatiza que não há democracia real quando parcelas da população vivem como se estivessem ocupadas. A crise, porém, é mostrada como resultado de políticas que mantêm esse regime de exceção.
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