O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento em 2025, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número representa 232 sumiços por dia e aumento de 4,1% em relação a 2024.
Entre 2015 e 2024, os registros oscilaram, com quedas apenas em 2020 e 2021. Especialistas atribuem parte da variação à subnotificação, remanescentes da pandemia e dificuldades de acesso a serviços de segurança em alguns estados.
Aproxima-se a leitura de que melhorar as buscas envolve dados integrados entre esferas federais, estaduais e municipais. Dados oficiais indicam avanços, mas há gargalos na interoperabilidade e na adoção do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.
Pessoas localizadas
O número de pessoas localizadas também subiu nos últimos anos. Em 2020 foram encontradas 37.561; em 2025, 56.688, alta de 51% no período. A variação também acompanha queda de casos não esclarecidos.
A coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil, Simone Rodrigues, aponta avanços na interoperabilidade de dados entre órgãos. Ela ressalta que muitas ocorrências envolvem crimes não resolvidos.
Política Nacional
A Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas foi criada para articular ações, mas segue sendo implementada de forma gradual. O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas ganhou status em 2025, com adesão ainda baixa dos estados.
Segundo a Senasp, 12 das 27 unidades federativas integram o cadastro, confirmando a fragmentação dos registros. A necessidade de padronização e compartilhamento de digitais entre estados é destacada pela especialista.
Desafios e aspectos demográficos
Em 2025, 28% dos desaparecidos tinham menos de 18 anos. Entre crianças, 62% eram meninas. Homens somavam 64% do total, mas o predomínio entre menores era feminino. Classificar causas é um desafio estatístico que envolve violência, tráfico e outros contextos.
A defendida pela ObDes aponta que muitos casos não são notificados por familiares ou conhecidos, especialmente em contextos de milícias, povos indígenas ou população em situação de rua. A melhoria depende de ações institucionais sensíveis e de não preconceitos.
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