Chatbots já influenciam eleitores e desafiam a regulação no Brasil. Estudos indicam que eleitores de diversos países recorrem a IA como fonte de informação ou até para indicar votos, o que preocupa especialistas e pode exigir ações regulatórias.
As pesquisas destacam que a influência ocorre de forma variada conforme o perfil e o país. Em eleições recentes, chatbots têm apresentado recomendações de voto e, em alguns casos, gerado debates sobre como as plataformas devem atuar durante campanhas.
Além disso, há relatos de informações incorretas respondidas por IA, o que desperta preocupação sobre a qualidade das respostas e o risco de distorções no processo eleitoral. Pesquisadores indicam necessidade de transparência nas respostas.
Panorama global
Na Holanda, eleições de outubro de 2025 mostraram que 10% dos eleitores disseram seguir recomendações de chatbots, com 13% permanecendo em dúvida. Jovens mostraram maior propensão a aderir às sugestões.
No Chile, eleitores apontaram maior engajamento com plataformas de IA durante o pleito, com 27% respondendo terem explorado o tema via chatbots. Em grupos com maior poder econômico, esse índice atingiu 44%.
Um estudo do MIT, com 2.400 eleitores nos EUA, mostrou efeitos mensuráveis. Apoio a Kamala Harris deslocou-se 3,9 pontos entre quem recebeu mensagens de IA pró-Harris, e o auxílio de IA pró-Trump moveu eleitores de Harris 2,3 pontos.
No Brasil
Pesquisa recente do Ipsos mostra que 79% dos usuários brasileiros de IA a utilizam para aprendizado, inclusive político. Em testes da DW Brasil, chatbots variaram entre descrever posições e indicar candidatos, com diferenças entre plataformas.
ChatGPT tende a descrever posições e citar candidatos bem posicionados; Gemini e Grok aparecem mais diretos ao sugerir opções de voto para presidente, governador e senador, conforme o perfil do eleitor.
Regulamentação e caminhos
Especialistas ressaltam que o Brasil já tem instrumentos para enfrentar distorções, incluindo regras sobre desinformação e transparência na IA. Contudo, conteúdos personalizados em plataformas representam desafio adicional.
O papel do TSE não é censurar conteúdos, mas garantir igualdade de condições entre candidatos. Durante eleições, o diálogo com plataformas e a observação de fontes alimentando as respostas são apontados como caminhos.
O Marco Civil da Internet traz obrigações de moderação para provedores, destacando a necessidade de responsabilidade. Futuras observações devem mirar fontes e a transparência na alimentação de respostas dos chats.
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