A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como preconceito a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender o repasse de 1 milhão de reais à escola de samba que apresentará enredo sobre o presidente Lula no Carnaval de 2026. A afirmação ocorreu na terça-feira, após a divulgação da recomendação.
O TCU apura a destinação de recursos públicos ao Carnaval do Rio de Janeiro, via termo de colaboração com o objetivo de promover o Brasil no exterior. A análise questiona se a verba poderia configurar propaganda antecipada em favor do atual presidente, provável candidato à reeleição.
A denúncia envolve a escola Acadêmicos de Niterói, apontada pelo partido Novo como recebedora de valores que, segundo a representação, podem beneficiar a agremiação com um enredo de exaltação ao presidente. O tribunal também sugeriu o bloqueio do repasse até decisão de mérito.
Segundo o TCU, a medida cautelar seria aplicada caso o dinheiro ainda não tenha sido transferido, enquanto o mérito do caso não é concluído. A recomendação, no entanto, não impede que outras entidades recebam recursos vinculados a ações de promoção internacional.
A denúncia sustenta que a temática do enredo, incluindo o uso do número 13 associado à campanha do PT, poderia configurar propaganda institucional. Parlamentares citam a possibilidade de benefício direto a uma escola que terá o tema ligado ao atual chefe do Executivo.
Embratur, órgão tradicionalmente envolvido nesses repasses a escolas de samba, é mencionado pela dirigente como parte de um histórico de financiamento à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Gleisi afirmou que a Liesa decide critérios e que o repasse costuma ocorrer normalmente.
A posição de Gleisi reforça o debate sobre o uso de recursos públicos para eventos culturais com potencial viés político. A reportagem esclarece apenas os fatos divulgados pelas partes envolvidas, sem apresentar avaliações ou opiniões.
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