Dois a cada três meses, um pacote de medidas de imigração adotado pela administração de Donald Trump tem afetado a indústria de hospitalidade nos EUA. Segundo a Unite Here, maior sindicato de trabalhadores desse segmento, quase um terço dos empregados são imigrantes, e o enfrentamento de fronteiras tem freado ações locais, turismo e empregos.
Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a contagem de trabalhadores da hospitalidade recuou em 98 mil postos, segundo o levantamento da Unite Here, que representa cerca de 300 mil trabalhadores nos EUA e no Canadá. O órgão destaca ainda que a força de trabalho imigrante é relevante para hotéis, restaurantes, turismo e serviços correlatos.
A queda no turismo é apontada como reflexo direto da política de imigração. A Unite Here aponta queda de 1,2 bilhão de dólares na receita de turismo entre setembro de 2024 e setembro de 2025, correspondente a uma redução de 5,5%. A entidade atribui esse efeito à maior vigilância de fronteiras e a restrições de vistos.
Impactos regionais e setoriais
Wade Lüneburg, diretor político do sindicato em Minnesota, afirma que muitos trabalhadores se sentem obrigados a ficar em casa por medo. Em entrevista, ele cita detenções de trabalhadores autorizados a trabalhar em operações de fiscalização de imigração. O grupo não divulgou números oficiais sobre incidentes específicos.
Minnesota também enfrenta impactos no fluxo turístico internacional, com declines na visita de canadenses à região, o que reduz o movimento de voos internacionais ao estado. Pequenos negócios locais reportaram perdas de centenas de milhares de dólares em janeiro de 2026.
A situação é percebida em cidades como Washington DC e Las Vegas. Em DC, houve fechamento de restaurantes em 2025, e o ritmo de aberturas desacelerou. Em Las Vegas, o turismo registrou queda de cerca de 7,5% em 2025, conforme dados da indústria.
Shaleah Taylor, funcionária de quarto em Las Vegas, indica que há um ar de desaceleração no comércio, com clientes gastando menos. Em Atlantic City, uma empregada de hotel relata aumento de carga de trabalho devido à rotatividade reduzida de funcionários.
Visão oficial e perspectivas
A DHS e a Casa Branca não comentaram casos de trabalhadores detidos pela ICE. A administração sustenta que a remoção de indivíduos sem documentos aumenta a segurança e a atratividade de ambientes para negócios e turismo. Em resposta pública, representantes presidenciais ressaltam a disponibilidade de mão de obra nos EUA para setores produtivos.
Relatório de julho de 2025 indica que metas de deportação de até 4 milhões de pessoas poderiam gerar perdas de empregos para imigrantes e trabalhadores nascidos nos EUA, segundo estudo ligado ao tema. A pesquisa aponta impactos significativos principalmente em construção e assistência infantil.
A narrativa, segundo o sindicalista Gwen Mills, enfatiza que os impactos econômicos vão além do grupo imigrante, afetando turismo doméstico e a presença de visitantes estrangeiros. A pauta permanece sem mudança de cenário prevista pela administração federal.
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