O sindicalismo argentino intensificou a resistência à reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Nesta quinta-feira, trabalhadores de base da Argentina aderiram a uma greve geral de 24 horas, com paralisação do transporte público. A mobilização ocorre enquanto a Câmara dos Deputados discute o projeto de lei.
A central CGT acusa que a reforma precariza direitos conquistados há décadas. Entre as mudanças previstas, está a criação de um fundo de indenizações que desfinancia a Seguridade Social e a eliminação do pagamento obrigatório de horas extras. Também há limites ao direito de greve, com serviços mínimos de 75% para setores essenciais.
Além da paralisação, houve interrupção de trens, ônibus, voos e transportes de carga. Atividades administrativas, bancos e serviços de coleta de lixo também ficaram indisponíveis, com hospitais públicos operando próximo do mínimo. O governo informou que irá descontar o dia de funcionários ausentes.
O Executivo defende a necessidade de atualizar uma norma considerada obsoleta para incentivar contratações. Alega aumento da informalidade até cerca de 43% da mão de obra. Sindicatos dizem que a lei restringe direitos trabalhistas assegurados há décadas.
O ambiente na sessão legislativa segue tenso. O governo precisou alterar trecho controverso do texto, removendo artigo que reduzia salários em caso de doença ou acidente, sob pressão de aliados. A votação retorna ao Senado se aprovada na Câmara.
A proposta está sob o escrutínio público e deve retornar à Casa alta para sanção final, caso passe pela etapa atual. Milei busca colocar a reforma em vigor antes do início formal das sessões do Congresso, no mês que vem, para evitar atrasos.
Separadamente, a indústria enfrenta dificuldades agravadas pela abertura de importações. A Fate, fábrica histórica de pneus, anunciou o fechamento e demissão de mais de 900 trabalhadores, alimentando críticas às políticas econômicas do governo.
Dados oficiais indicam fechamento de cerca de 21 mil empresas nos últimos dois anos e queda de cerca de 300 mil empregos formais, em meio a pressões competitivas com importações. O cenário alimenta o debate sobre o impacto da reforma trabalhista planejada.
A jornada desta quinta promete ser marcada por protestos e por um forte aparato de segurança. As autoridades indicaram que a polícia atuará para evitar confrontos, e jornalistas foram orientados a permanecer em áreas designadas para resguardar a integridade física.
Entre na conversa da comunidade