O estudo realizado por pesquisadores da UFPR mostrou que gastos com meio ambiente sobem nos anos eleitorais e permanecem elevados no ano seguinte, em municípios brasileiros. A pesquisa analisou 4.970 cidades entre 2007 e 2021 para entender esse padrão.
A investigação comparou dados de orçamento, exercício financeiro e indicadores econômicos para identificar variações nos gastos ambientais. O foco foi o ano anterior à eleição, o ano da eleição e o ano seguinte, buscando entender a sazonalidade.
O trabalho, intitulado Oportunismo eleitoral e despesas ambientais nos municípios do Brasil, foi publicado em 20 de fevereiro na revista Cadernos de Gestão Pública e Cidadania, da FGV.
Resultados principais
Os resultados indicam aumento de gastos com meio ambiente no ano eleitoral, com manutenção de patamar elevado no ano seguinte. No ano anterior, não houve variação relevante nos investimentos. A participação do meio ambiente no orçamento é inferior a 1%.
O estudo sugere que esse comportamento está ligado mais à continuidade de alianças partidárias do que à reeleição do prefeito. O orçamento verde parece funcionar como ferramenta de visibilidade e alinhamento político.
Outro dado relevante: as transferências federais associadas à exploração de recursos naturais dobraram desde 2016, enquanto os investimentos municipais não acompanham esse crescimento, apontando para maior arrecadação que investimento ambiental.
Os autores defendem institucionalizar metas e indicadores orçamentários para o meio ambiente nos municípios, aumentando a transparência e a avaliação de resultados.
Próximos passos
A pesquisa pretende verificar se a ideologia partidária influencia a gestão ambiental local. Também avalia se os investimentos realizados realmente geram melhorias em indicadores ecológicos.
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