A crise demográfica da Coreia do Sul chega ao setor de defesa. O Exército está com déficit de efetivos e avalia medidas para evitar colapso na mobilização. O aumento de mulheres nas fileiras é visto como parte da solução, com metas até 2027.
Hoje, mulheres já representam 11% dos oficiais, crescimento em relação a 20 anos atrás, quando eram parte de 2%. A tendência avança para abrir cargos que antes eram dominados por homens, incluindo investigações de mortes.
O governo e o presidente prometem ampliar a participação feminina nos quadros militares como parte da agenda de segurança nacional, após assumir o cargo em junho de 2025. Um tema recorrente é a possibilidade de recrutar mulheres para alistar serviços obrigatórios.
A escassez de soldados atingiu números alarmantes. Em 2025, o efetivo ativo caiu para 450 mil, ante 560 mil em 2019, ficando abaixo dos 500 mil considerados ideais para dissuadir a Coreia do Norte.
Especialistas afirmam que a “crista demográfica” representa o maior desafio estrutural da defesa sul-coreana, exigindo mudanças profundas na estrutura e na cultura militar para manter a prontidão.
Desafios e reformas
Analistas destacam propostas como modernização tecnológica, uso de IA, drones e reorganização de comandos para menos tropas. A ampliação de vagas para mulheres é citada como uma opção viável, mesmo entre setores que não defendem o recrutamento obrigatório.
A discussão sobre recrutar mulheres envolve aspectos legais, culturais e operacionais. Defensores apontam que a participação feminina pode aliviar a pressão sobre o serviço militar, enquanto críticos levantam questões de integração e igualdade de gênero.
Casos de discriminação e assédio continuam a marcar a experiência de mulheres no serviço. Relatos de desigualdade salarial, assédios e subutilização de oficiais femininas são motivo de preocupação para organizações de direitos e para a comunidade militar.
Pesquisadores ressaltam que a efetiva igualdade depende de mudanças amplas na sociedade e na cultura institucional. Mesmo com maior presença feminina, o acesso a cargos de decisão ainda é restrito, o que influencia a percepção de oportunidades.
Jun Mi-sun, que trabalhou como investigadora de polícia militar, observa que mudanças já ocorreram, com menor violência em áreas de barraca e maior atenção aos direitos humanos. Ela acredita que a diversidade pode tornar a instituição mais aberta e democrática.
Se a drafted feminino se tornar prática, dúvidas persistem sobre como integrar de forma segura e eficaz as mulheres, respeitando limites físicos, operacionais e de bem-estar. O debate segue em aberto entre governo, militares e sociedade.
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