O Khumbu, região de Sagarmatha (Evereste) no Nepal, vive na contramão da agitação eleitoral do país. Enquanto o interior recebe com fervor a campanha para as eleições de 5 de março de 2026, as vilas de Namche Bazaar, Lukla e Pangboche ficam em silêncio, com o inverno rigoroso e a migração sazonal afastando moradores e visitantes.
Especialistas locais afirmam que os eleitores permanecem majoritariamente ausentes durante o período de campanha, com visitas de candidatos concentradas na capital, Kathmandu. O temor é que a desolação de Khumbu reduza a participação nas urnas da região de Solukhumbu, que abriga apenas uma das 275 cadeiras da Câmara.
Mudanças significativas no tema: clima e cotidiano
O efeito das mudanças climáticas já é perceptível para quem permanece na região. Suspeita de instabilidade de neve e padrões de precipitação atípicos elevam os riscos de desastres e afetam a gestão de recursos hídricos. A discussão pública, porém, continua centrada em infraestrutura básica como estradas, energia e água potável, não na resiliência climática.
Pesquisadores apontam que o aquecimento nas altas altitudes é mais intenso, com recuos de geleiras e alterações nas chuvas sazonais. A necessidade de planejamento de desastres e adaptação local é citada por autoridades municipais, ainda que o suporte central seja visto como limitado.
Demografia e representação
Apesar da extensão geográfica, Solukhumbu tem apenas uma cadeira parlamentar. Kathmandu, por sua vez, concentra 10 assentos, apesar de representar menos da metade da área do país e cerca de 10% da população total. Esse desequilíbrio ajuda a explicar a distância entre as demandas locais e as prioridades dos candidatos.
Moradores indicam que grande parte da população local migra para Kathmandu ou trabalha no exterior, reduzindo a base de eleitores residentes. Comerciantes e líderes comunitários destacam que eleições costumam priorizar obras de infraestrutura em vez de estratégias de adaptação climática.
Agenda eleitoral atual
Na prática, o foco da campanha em Khumbu recai sobre estradas, fornecimento de energia e água potável. Estradas de boa circulação conectam Lukla à rede rodoviária nacional, mas divergem entre apoiar ou frear grande expansão para preservar o turismo. A eletricidade é majoritariamente gerada por micro-hidrelétricas, com planos de integração à rede nacional ainda em avaliação.
O turismo sustenta a economia local, com royalties de montanhismo e impostos regionais. Ainda assim, líderes locais afirmam que o uso desses recursos para adaptação climática, infraestrutura e gestão ambiental é insuficiente, e defendem maior programação nacional direcionada à região.
Propostas e perspectivas regionais
Candidatos locais defendem investimentos em saúde, educação e mobilidade, além de melhorias de infraestrutura para facilitar o acesso aos vilarejos de altitude. Entre propostas, destaca-se a redistribuição de royalties de montanhismo para favorecer infraestrutura regional e ações ambientais.
Participantes do pleito ressaltam a necessidade de abordagens de clima e turismo que respeitem a realidade local, com maior envolvimento das comunidades. A discussão pública sobre turismo sustentável em Khumbu, segundo críticos, ainda circula principalmente em tom retórico.
Entre na conversa da comunidade