In Montería, Córdoba, famílias enfrentam inundações recordes. Na periferia de La Palma, dois garotos usam um refrigerador virado como barco para transportar pertences. Ana Castillo, 33 anos, observa a água que invadiu sua casa e subiu até a parede.
A região enfrenta o pior episódio de cheia já registrado em Córdoba, afetando 27 bairros de Montería e 24 municípios. Ao todo, sete pessoas morreram, e dezenas de milhares ficaram desabrigadas ou isoladas pelas águas.
O debate sobre as causas se intensifica. Enquanto cientistas apontam para padrões climáticos alterados, moradores e algumas autoridades ligam as cheias ao transbordamento do reservatório da usina Urrá, na bacia do Sinú, upstream de áreas afetadas.
Clima extremo e variabilidade natural
Dados da Unidade de Gestão de Riscos mostram chuva incomum de fevereiro, com partes da região recebendo entre 130% e 180% da média mensal. Em janeiro, o volume foi de 222,6 mm, quase o triplo da média histórica, e fevereiro avançou rapidamente além da média mensal.
Análises de institutos científicos indicam que temperaturas mais altas elevam a atividade de precipitação, ao mesmo tempo em que ventos costeiros trazem mais umidade para o Caribe. A variabilidade natural não explica sozinha o conjunto de cheias, segundo os pesquisadores.
Impacto humano e resposta
Na cidade, cerca de 4,8 mil pessoas estão em abrigos oficiais de Montería e outras famílias estão com parentes. No total do departamento, mais de 69 mil pessoas foram deslocadas. Moradores relatam perdas de moradias, animais e safras, além de risco de doenças.
Comunidades ribeirinhas em Los Patos e Nariño enfrentam isolamento completo, dependentes de ajuda de organizações humanitárias que chegam apenas a cada quatro dias. Em áreas distantes, a falta de água potável aumenta a preocupação com doenças transmitidas por mosquitos.
O governo local trabalha com equipes de assistência e programas de vigilância sanitária para minimizar epidemias, como dengue. Autoridades destacam a necessidade de planejamento para eventos com padrões climáticos mais extremos.
Perspectivas
Defensores da Urrá afirmam que o reservatório ajuda a controlar cheias em grande parte da bacia do Sinú e que a operação de vazões visa manter a usina estável. Já críticos ressaltam impactos históricos sobre ecossistemas locais e comunidades indígenas, apontando vulnerabilidade aumentada ao longo de décadas.
Em meio ao desfecho incerto, moradores seguem recebendo assistência e aguardam recuperação gradual, com a paisagem alagada transformando a vida de milhares na região.
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