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Delcy Rodríguez redesenha gabinete para deixar para trás o madurismo

Delcy Rodríguez reconfigura o gabinete venezuelano, demitindo Padrino López e privilegiando civis técnicos para consolidar seu perfil

Delcy Rodríguez en reunión con la cúpula militar, encabezada por Gustavo González, este jueves.
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Delcy Rodríguez, presidenta encargada de Venezuela, vem promovendo mudanças significativas no gabinete desde 3 de janeiro. Em menos de três meses, quase metade dos 32 cargos foi remanejada, diluindo a influência de Maduro e definindo um perfil próprio para a gestão.

Neste mês, alterações atingiram Defesa, Transporte, Hidrocarburos, Energia Elétrica, Trabalho, Vivienda, Educação Universitária, Turismo e Cultura. Reformas anteriores abrangeram Indústrias, Comunicações, Ecosocialismo e Aguas e Despacho da Presidência.

Essas mudanças visam recompor o poder interno, sem sinalizar abertura governamental. O foco é manter lealdade institucional e alinhar a equipe ao novo eixo de comando, com foco em cargos-chave ocupados por civis técnicos em muitos casos.

Mudanças na Defesa e no aparato militar

Vladimir Padrino López deixou o cargo de ministro da Defesa após 12 anos. O posto passa ao general Gustavo González López, especializado em inteligência e próximo à cúpula do PSUV. A direção de Contrainteligência Militar fica com o contralmirante Germán Gómez Lárez, e o Regimento de Guardia de Honor Presidencial, com o general Henry Navas Rumbos.

A saída de Padrino também provocou a retirada do general Domingo Hernández Lárez, diretor do Comando Estratégico Operacional. A reforma militar é apresentada como parte do redesenho do poder, com foco na fidelidade institucional.

Reformulações em Energia, Transporte e Habitação

No Ministério de Energia Elétrica, o engenheiro Rolando Alcalá assume a pasta; o anterior titular, Jorge Márquez, passa para Vivienda y Hábitat. Hidrocarburos fica com Paula Henao, conhecida pela proximidade com Rodríguez. Transporte passa a Jacqueline Farías, ligada a diversas pastas nos últimos anos.

O Ministério da Habitação é assumido por Márquez, enquanto Transportes recebe Farías, substituindo o vice-almirante Ángel Coronado. Na área trabalhista, Eduardo Piñate sai e Carlos Castillo assume a pasta. Educação Universitária fica com Ana María San Juan.

Cultura, Educação e reação política

Cultura passa a Raul Cazal, com perfil civil e alinhado à continuidade da agenda bolivariana. Educação Universitária fica sob gestão de Ana María San Juan, com atuação independente do chavismo. Em Cultura, o perfil técnico permanece próximo ao legado revolucionário.

Especialistas indicam que as mudanças visam consolidar lealdade à nova liderança e projetar uma gestão com maior autonomia. Observadores ressaltam que não há indicação de abertura democrata, apenas reorganização de alianças internas.

A oposição venezuelana tem reagido com apatia diante dos anúncios, mantendo o distanciamento e evitando críticas contundentes até o momento. As mudanças continuam a moldar o funcionamento interno do governo chavista.

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