Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o desafio de reconectar o PT ao novo perfil da classe trabalhadora diante das eleições de outubro. O presidente, ligado ao movimento sindical, reconhece a perda de vínculo com trabalhadores após a expansão do trabalho por aplicativos.
A constatação vem em meio a críticas internas e a uma corrida por votos. O PT já não conta automaticamente com o apoio de trabalhadores de bairros industriais, que antes sustentaram o partido nas eleições. Lula fala em recuperar a relação e dialogar com o povo.
Segundo analistas, a mudança ocorre com a transição de empregos formais para trabalhos informais na economia digital. A empresa de aplicativos altera a percepção de dignidade e autonomia, influenciando a preferência política de parcela da base.
Para o governo, a prioridade é retomar o diálogo com trabalhadores formais e informais, incluindo motoristas e entregadores de aplicativos. A iniciativa envolve propostas para reduzir a jornada e garantir direitos mínimos de trabalhadores digitais.
A liderança do PT admite que a dificuldade já impactou eleições locais e impulsiona nova estratégia para a disputa presidencial. O objetivo é manter presença nos territórios, especialmente nas periferias, sem afastar-se dos bairros pobres.
Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, coordena a agenda para esse recuo estratégico. A proposta central figura em uma tentativa de regulamentar o trabalho por apps, buscando proteção social e transparência algorítmica.
Ponto central: trabalho por aplicativos
A meta é aprovar uma emenda constitucional para reduzir jornadas em setores com alta demanda de folga, além de criar regras para remuneração e previdência dos motoristas e entregadores. O tema envolve lobby de setores de tecnologia.
O debate envolve também a flexibilidade do trabalho, custo de leis mais rígidas e impacto econômico. Entidades ligadas ao setor afirmam que a medida pode tornar o mercado mais engessado e aumentar custos.
Governistas veem potencial eleitoral na regulamentação, mas o projeto enfrenta resistência entre representantes de plataformas. O setor sustenta que propostas atuais restringem a dinâmica do trabalho e elevam custos.
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