Na Argentina, um grupo russo identificado como “A Companhia” financiou uma campanha midiática de desinformação para desacreditar o governo do presidente Javier Milei. A operação ocorreu entre junho e outubro de 2024, com investimento de ao menos US$ 283.100 para sustentar publicações.
Um consórcio de veículos de mídia investigativa internacional mapeou mais de 250 conteúdos publicados em mais de 20 plataformas digitais argentinas. A análise baseia-se em 76 documentos de 1.431 páginas sobre as atividades do grupo na África e na América Latina.
A investigação, divulgada pelo El País e por uma associação internacional de mídia, aponta que a estratégia combinava notícias verdadeiras e falsas, buscando semear dissenso interno e atritos com governos vizinhos. Fotos de supostos autores eram de bancos de imagens ou criadas por inteligência artificial.
Os conteúdos abordavam cortes na educação, redução de salários e tensões com governos progressistas da região. O pagamento por artigo variou entre US$ 350 e US$ 3.100, com estimativa de salário médio de jornalistas locais em torno de US$ 700, segundo o Filtraleaks.
Além disso, os registros apontam gastos adicionais de US$ 343 mil com coleta de informações, organização logístico e outras despesas na Argentina. A Embaixada da Rússia na Argentina classificou a investigação como material antirrusso e afirmou não haver evidências, segundo o El País.
Desdobramentos e respostas oficiais
O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que os fatos estão sob análise da Justiça para definição de responsabilidades. O governo argentino informou que a SIDE denunciou a operação à Justiça em outubro de 2024, destacando a vigilância institucional sobre o tema.
Entre as plataformas mencionadas na divulgação, aparecem Diarios como Con Vos, El Destape, Diario Registrado, além de canais de televisão e sites de divulgação política. A lista completa reúne dezenas de veículos e agrega centenas de artigos relacionados ao tema.
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