Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou nesta quarta-feira (8 abr 2026) que é difícil identificar irregularidades em condutas de supervisores da instituição no caso Master. A manifestação ocorreu durante a CPI do Crime Organizado, que investiga a atuação do BC no episódio envolvendo o Banco Master.
O depoimento envolve suspeitas contra Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos servidoras do BC, apontados pela CGU como possíveis facilitadores de interesses do Master. Souza atuou como diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, sob governos de Temer e Bolsonaro.
Galípolo destacou que os dois têm longa carreira no BC, de 28 anos, e afirmou que Souza recebia propostas para atuar no mercado após deixar a diretoria. Ele explicou que o tema envolve análise sobre possíveis vantagens indevidas e influências sobre a atuação dos supervisores.
O presidente do BC mencionou que caberá à Justiça examinar eventuais irregularidades. Em defesa de medidas internas, sugeriu rodízios entre supervisores para reduzir riscos de fraude, defendendo limitação de tempo no cargo para cada instituição supervisionada.
Sobre o caso Master, Galípolo destacou que, em novembro de 2024, a Fitch Ratings elevou a nota de risco da instituição. Também citou quatro auditorias externas independentes que teriam validado as contas: PwC, KPMG, EY e Crowe. A avaliação de ativos por escritórios de advocacia também foi mencionada.
Segundo ele, o arcabouço do Master indicava evolução de rating, auditorias e pareceres jurídicos positivos, com avaliação de que tudo estava em conformidade. O BC chegou a considerar que afastamentos precipitados poderiam soar como perseguição a determinada instituição.
Para o BC, um grupo separado de supervisores foi criado para realizar as análises pertinentes ao caso Master. Galípolo foi chamado a esclarecer a atuação do BC no que ficou conhecido como o maior escândalo bancário da história brasileira.
O episódio envolve ainda o fundador do Master, Daniel Vorcaro, que permanece preso. Ele foi alvo de investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos. Vorcaro assinou em março de 2026 acordo de confidencialidade com PF e PGR, abrindo possibilidade de delação premiada.
O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. Em 2024, Galípolo participou de uma reunião fora da agenda com Vorcaro, Lula e outras autoridades no Planalto, sem informar o encontro ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto.
O caso envolve também o BRB, banco estatal do Distrito Federal, que comprou carteiras do Master por cerca de 12,2 bilhões de reais. A operação deixou o BRB com dificuldades financeiras e elevou incertezas sobre o balanço da instituição.
O BC identificou créditos considerados sem lastro em 2025, durante a negociação de venda do Master ao BRB. As apurações envolvem o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, que realizaram a primeira fase de investigações em 2023, com desdobramentos em 2024 e 2025.
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