O silêncio que custou caro deixa de ser apenas ausência de fala para se transformar em algo com valor financeiro. O tema central é o Banco Master, envolto em pagamentos milionários a figuras do poder público e a consultores ligados a dirigentes partidários. Em 2025, dados da Receita Federal, enviados à CPI do Crime Organizado no Senado, apontam pagamentos totais de dezenas de milhões nesse setor, com notas fiscais e CNPJ. Nomes aparecem, porém sem acusações criminais por consultoria.
O que intriga é a relação entre o banco e agentes públicos que, em conjunto, constroem uma imagem de normalidade institucional. O presidente do Banco Central, ao depor, revelou que, na liquidação, havia apenas 10% do caixa necessário para quitar investidores. A descrição do modelo de negócio, por meio de metáfora direta, indica operação de ativos para revenda com superfaturação e emissão de novos CDBs para sustentar pagamentos de antigos.
A reforma da supervisão e o sigilo de oito anos sobre os documentos de liquidação também chamam atenção. O BC afirmou que o procedimento é padrão desde 2018, mas o rombo superior a 50 bilhões de reais e relatos de mais de 1 milhão de investidores impactados geram perguntas sobre quem o sigilo protege. Internamente, dois servidores foram afastados por indícios de vantagens indevidas, mostrando contaminação também no polo interno da fiscalização.
A CPI tem prazo até a próxima terça-feira para encerrar seus trabalhos, com propostas de prorrogação ou de CPMI em debate. Enquanto isso, o Fundo Garantidor de Créditos aguarda ressarcimento para mais de 1 milhão de pessoas, entre pensionistas e cidadãos comuns que confiaram no sistema. A pergunta que predomina é: quanto custou a inação de quem viu, mas não agiu, e qual o peso desse custo para os lesados?
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