Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru apresentaram suas renúncias após alegarem que o presidente interino, José María Balcázar, mentiu ao país sobre a assinatura de um acordo de compra de caças. O contrato envolve 24 aeronaves F-16 da Lockheed Martin, estimado em US$ 3,5 bilhões.
Segundo o chanceler emérito Hugo de Zela, demissionário, o acordo teria sido assinado pela própria estrutura militar na segunda-feira, mesmo com a resistência pública de Balcázar. O pedido de cancelamento só foi decidido pelo presidente na sexta-feira anterior.
O episódio aumenta a pressão sobre Balcázar, líder de 83 anos de um partido de esquerda radical, que resistiu a apoiar a compra. As Forças Armadas e Washington defendem o reforço da frota, enquanto o mandatário mantém que o tema deve ser decidido pelo próximo presidente eleito.
Desdobramentos e calendário
O ex-ministro da Economia, Luis Miguel Castilla, afirmou que a liberação de recursos depende de ato oficial do governo, já com controle no Ministério da Economia. Castilla também informou que o pagamento inicial já venceu, apontando o prazo final para o desembolso no acordo.
A renúncia dos dois ministros ocorre no contexto de uma campanha eleitoral em curso, com Keiko Fujimori defendendo a assinatura do contrato, e Roberto Sánchez ou Rafael López Aliaga disputando o segundo turno em junho. As posições na contenda afetam o tema de segurança nacional no país.
Contexto político e futuro próximo
Balcázar afirmou que qualquer decisão de assinar o acordo sem sua autorização seria irregular, deixando claro que a decisão final caberia ao presidente em exercício. A autoridade para liberar recursos, no entanto, permanece em disputa entre o governo interino e as autoridades econômicas.
O Peru continua sem definição sobre o futuro governante a partir de julho, quando o mandato de Balcázar termina. A negociação com a Lockheed Martin, se mantida, pode ter impactos estratégicos e orçamentários para o país.
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