A Marinha receberá nesta sexta-feira a primeira fragata construída no Brasil desde 1980. A F200 Tamandaré entra em operação em meio a um desenho de defesa renovado e à necessidade de proteção de rotas marítimas, frente a tensões internacionais e aos impactos do fechamento do estreito de Hormuz. A entrega ocorre em um momento em que o governo ampliou a encomenda da classe Tamandaré.
A decisão de dobrar a encomenda foi anunciada pelo presidente Lula, durante viagem à Alemanha, na terça-feira passada. Serão quatro navios da classe Tamandaré, com perspectivas de futuras aquisições que, segundo autoridades, ainda não atingem o objetivo de 12 a 16 unidades desejado pela Marinha. A iniciativa visa ampliar capacidades navais brasileiras em resposta aos desafios estratégicos.
A fragata Tamandaré foi desenvolvida em consórcio entre Thyssenkrupp, Embraer e empresas nacionais. O contrato, assinado em 2020, envolve transferência de tecnologia para a Embraer e a Atech, com participação de fornecedores nacionais. O projeto começou em 2017 e, segundo o governo, representa avanço tecnológico para a Marinha.
Do ponto de vista financeiro, o programa tem histórico de uso de recursos acima do teto de gastos e, nos últimos anos, registrou atrasos e ajustes. Dados do Senado indicam que, de R$ 15,8 bilhões autorizados entre 2019 e 2025, apenas 60,7% foram efetivamente gastos até 2025. Em 2025, o ritmo de execução mostrou melhoria.
Avanços e desafios tecnológicos
A F200 Tamandaré substitui a fragata União, de 1980, representando salto tecnológico. O navio tem sistemas modernos de combate, gestão de dados e guerra eletrônica, além de capacidade de lançar mísseis do modelo Mansup e o Exocet francês. Desloca 3.455 toneladas e pode transportar um helicóptero, fortalecendo a presença brasileira no Atlântico.
A Força também opera outros navios de apoio e de patrulha, além de dois submarinos de origem francesa em construção. A nacionalização do projeto é estimada em 40%, com ganhos esperados em arrecadação e geração de empregos até 2029. A despeito de benefícios, a maioria das tecnologias sensíveis segue dependente de fornecedores estrangeiros.
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