Daniella Ribeiro, senadora pelo PP da Paraíba, revelou ter vivenciado violência doméstica em um relacionamento que durou seis anos. O relato foi feito em entrevista à revista Marie Claire, e teve origem no Seminário sobre Violência contra a Mulher, promovido no início do mês em parceria com o TJPB.
À época em que ainda era deputada estadual, ela descreveu como o relacionamento afetou a vida pessoal e a atuação política. O companheiro restringia viagens, relações profissionais com homens e chegou a sugerir que ela abandonasse a carreira para se manter financeiramente.
A parlamentar explicou que o reconhecimento dos sinais de abuso demorou. Ela lembra que foi monitorada discretamente e sofreram tentativas de controle, com o agressor buscando isolar a vítima de amigos, familiares e da própria identidade profissional.
Durante o período, episódios de violência física ocorreram, incluindo situações de sufocamento com o uso de um travesseiro. O relato aponta ainda que o agressor era socialmente agradável, dificultando a percepção externa do que acontecia.
O relacionamento terminou no final de 2017, com apoio de amigas, psicóloga e familiares. Analisando o passado, ela afirma que precisou de tempo para reconhecer o ciclo da violência e que só buscou tratamento de saúde mental anos depois, em 2023.
Violência política de gênero
Ribeiro afirma ter enfrentado machismo e ataques de gênero ao longo de mais de 15 anos na vida pública. Questões sobre aparência e deslegitimação da atuação são lembradas como recorrentes, inclusive no Senado.
Ela relata que, em ocasiões, recebeu convites para ceder espaço a um colega homem em reuniões com autoridades. A senadora ressalta a importância de se manter firme e igualitária, lembrando que a representatividade exige presença constante.
Entre os projetos, destaca o programa Antes que Aconteça, que atua na prevenção e enfrentamento da violência de gênero. A iniciativa inclui educação, acolhimento e autonomia financeira para vítimas.
Salas Lilás e expansão
O programa também prevê as Salas Lilás, espaços em municípios sem delegacias especializadas, com atendimento integrado de polícia, saúde e assistência social. A meta é ampliar o suporte a mulheres em situação de violência.
A iniciativa teve origem na Paraíba e, após aprovação, ganhou extensão para todo o país pelo Senado Federal, fortalecendo ações de proteção e integração de serviços. Marie Claire, fonte da entrevista, destaca o relato de Daniella Ribeiro.
Entre na conversa da comunidade