O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra 23 pessoas ligadas à Polícia Civil, advogados e empresários. A acusação envolve associação criminosa, fraude processual e corrupção ativa e passiva em operações vinculadas à Polícia Civil, entre 2020 e 2025.
Os promotores do Gaeco apontam que o grupo atuou para manter impunidade e favorecer práticas delitivas, com lavagem de capitais estimada em bilhões de reais. Propinas somaram cerca de 33 milhões de reais, pagas a policiais para evitar investigações.
Entre os denunciados, nove são policiais civis que atuavam no Deic, no DPPC e no 35º Distrito, conforme os promotores. As findings apontam desvio de procedimentos e uso de investigações como balcões de negócios.
A denúncia envolve, ainda, a suposta utilização de instrumentos de investigação como relatórios de inteligência financeira para sustentar as ações ilícitas, conforme detalhado pelo Gaeco. A defesa não foi localizada pela reportagem.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso e que não haverá tolerância com desvios de conduta. A instituição ressaltou que adotará medidas legais e disciplinares cabíveis se comprovadas irregularidades.
A operação Baazar, liderada pela Polícia Federal, mobilizou 25 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão preventiva em março de 2026. As ações ocorreram em diferentes setores da Polícia Civil e em empresas ligadas aos investigados.
O Ministério Público requereu medidas cautelares para os denunciados, incluindo proibição de deixar a comarca, contato restrito entre investigados, entrega de passaporte, recolhimento noturno, monitoramento eletrônico e fiança de 50 mil reais. O bloqueio de bens soma 35 milhões de reais.
A investigação aponta que, ao menos desde 2020, alguns acusados teriam usado a corrupção policial de forma sistemática para manter a impunidade e sustentar atividades criminosas ligadas a diversos setores, segundo o Gaeco.
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