Um helicóptero do Primeiro Comando da Capital (PCC) teria pousado no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, em 10 de março de 2022. A autorização para o pouso teria sido obtida em cerca de seis horas por meio de contatos políticos, segundo relatório da Operação Contaminatio da Polícia Civil.
O objetivo do deslocamento era acompanhar uma partida de futebol entre São Paulo e Palmeiras no Morumbi, conforme constatações da investigação. O caso faz parte de uma ação que investiga infiltração de facções em administrações municipais do interior paulista e, ainda, possível financiamento de candidaturas nas eleições de 2024.
A operação, deflagrada nesta segunda-feira pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, visa mapear a atuação do PCC no âmbito municipal e regional. O material aponta o uso de contatos na Casa Militar para liberar o pouso do helicóptero, o que gerou questionamentos sobre controles internos de órgãos públicos.
Implicações e réguas da investigação
Segundo o relatório, o pouso é descrito como um indicativo do alcance da infiltração do crime no poder público. A documentação reúne diálogos e mensagens ligando empresários a figuras políticas que poderiam facilitar ações da organização criminosa nas prefeituras da Região Metropolitana.
A reportagem do Estadão teve acesso a parte dos documentos, que também apontam a existência de ao menos seis pessoas politicamente expostas ligadas aos negócios e à política locais. A investigação envolve suspeitas de uso de uma fintech para facilitar a lavagem de recursos municipais.
João Doria, então governador à época, afirmou que não há controle do heliponto pelo governador e que a responsabilidade seria da Casa Militar do Governo de São Paulo. A Casa Militar não se manifestou quando procurada pelo Estadão.
Resposta de envolvidos e desdobramentos
O ocupante do helicóptero, identificado pela polícia, é João Gabriel de Melo Yamawaki, preso em 2026 em Tocantins por suspeita de participação em um carregamento de cocaína. A investigação também aponta contatos com Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André, que afirmava ter ligação com a Secretaria de Desenvolvimento Regional.
O ex-secretário Marco Vinholi, citado no material, afirmou não possuir ligações com os investigados e ressaltou que, em 2022, já não atuava como secretário nem tinha gerência sobre o heliponto. A reportagem buscou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública, sem obter resposta até o fechamento desta reportagem.
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