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Por que Trump faz afirmações consideradas inverossímeis

Talisse diz que mentiras de Trump exibem poder e desprezo, controlando a pauta; porém sinais de erosão no apoio da base começam a aparecer

Estratégia pode ser especialmente vantajosa para Trump quando ele fala a jornalistas, e os obriga, já que ele é o presidente da República, a fazer reportagens sobre essas declarações incríveis, controlando assim os ciclos do noticiário, diz o articulista
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O presidente Donald Trump concedeu uma entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, em 26 de abril, um dia após um incidente em que um homem armado tentou chegar ao jantar onde ele participava. A reportagem também abordou declarações do líder sobre políticas e a condução do país.

Durante a entrevista, Trump disse que não tropeçou nem caiu ao ser retirado do palco pelos agentes do Serviço Secreto. Segundo ele, baixou-se a pedido dos agentes e permaneceu no chão apenas por orientação profissional.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram o momento em que o presidente foi ao chão de forma involuntária e recebeu auxílio para se levantar e se afastar. As imagens contradizem a versão apresentada pelo chefe do Executivo.

Especialistas foram citados para explicar o fenômeno. Em 2018, pesquisadores da Carnegie Mellon e do MIT sugeriram que mentiras deliberadas podem reforçar a coesão de apoiadores, ao manter o discurso em uma perspectiva de ressentimento contra o establishment.

Outro ponto discutido é o uso estratégico dessas afirmações. O filósofo Robert B. Talisse argumenta que repetir informações improváveis pode demonstrar poder e desprezo, pressionando a imprensa a cobrir o tema e favorecendo o controle de ciclos de notícia.

Em entrevistas e análises, Talisse afirma que a tática pode visar a imprensa e a oposição, mostrando que o presidente não pode ser contido. Pesquisas recentes indicam, porém, uma erosão de apoio entre a base mais fiel do movimento.

Tanto Hahl, Kim e Sivan quanto Talisse destacam que, para alguns apoiadores, as mentiras podem consolidar a coesão interna. Outros observadores apontam que o distanciamento de lideranças do Maga já começou a ocorrer em resposta a desdobramentos econômicos e internacionais.

Segundo Tucker Carlson, ex-colunista da Fox News, o apoio a Trump pode depender da percepção de traição. Em entrevista ao Wall Street Journal, Carlson afirmou que não odeia Trump, mas desaprova a direção do governo e a gestão atual.

Especialistas ressaltam que o efeito dessas mentiras não é apenas narrativo. A soma de declarações falsas divulgadas ao longo dos anos contribuiu para ampliar o ceticismo em relação a fatos verificáveis entre parte da população.

A discussão também envolve o legado político de Trump. Alguns analistas destacam que a estreia de 2016 foi marcada por acusações infundadas contra o ex-presidente Barack Obama para justificar a candidatura, enquanto outros apontam que o megalomania pode ter impulsionado a fama e o poder do líder.

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