A Justiça do Rio de Janeiro determinou o trancamento do inquérito que investigava o vereador Salvino de Oliveira Barbosa (PSD) por possível ligação com o Comando Vermelho (CV). A decisão aponta a presença de supostas ilegalidades na condução da investigação e sugere risco de perseguição política contra o parlamentar. A prisão temporária já havia ocorrido em 11 de março, durante operação da Polícia Civil contra o CV.
O juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, entendeu que não há justa causa para manter o inquérito contra Salvino. O magistrado citou indícios de uso político do aparato policial e destacou que as condutas apuradas geram dúvidas sobre a continuidade das apurações.
De acordo com a decisão, as investigações apontavam que o vereador atuava politicamente na comunidade Gardênia Azul, na zona oeste do Rio, com autorização de lideranças do tráfico. A principal evidência, uma conversa de WhatsApp entre dois faccionados, foi considerada isolada e insuficiente para sustentar a continuidade das investigações.
O sigilo do processo principal e de um procedimento conexo foi suspenso pelo juiz, que manteve o segredo de justiça devido a dados sensíveis e à participação de outros investigados. Também foi autorizada a inclusão formal dos advogados de defesa nos autos.
A Polícia Civil afirmou, em nota, que as prisões foram analisadas pelo Ministério Público e pelo Judiciário, que concordaram com as medidas adotadas. A instituição ressaltou que atua com critérios técnicos, jurídicos e sem interferência externa, mantendo o rigor investigativo.
Quem é Salvino, alvo da apuração, nasceu na Cidade de Deus e tem 28 anos. Formado em Gestão Pública pela UFRJ, ele já foi secretário da Juventude e participou da gestão municipal de 2021 a 2024, durante a administração de Eduardo Paes. Este é o seu primeiro mandato como vereador na Câmara Municipal do Rio.
Entre na conversa da comunidade