A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira, a nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis vantagens financeiras e patrimoniais envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pessoas ligadas a ele. A ação envolve registros de viagens financiadas e participação societária por parte de familiares do parlamentar.
Segundo apurações da PF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, apoiou financeiramente viagens de Ciro Nogueira e de sua filha, Maria Eduarda Nogueira, a França em 2024 e 2025. Também estavam presentes naquelas ocasiões a ex-namorada de Vorcaro, a influenciadora Martha Graeff, e, em outras visitas, a família do senador. A investigação aponta que tais viagens teriam extrapolado o limite de mera relação de amizade.
Imagens obtidas pelo Correio Brasiliense mostram Maria Eduarda e Martha Graeff em viagens e eventos privados, com conteúdo público de amizade entre ambas. A viagem à estação de esqui de Courchevel, nos Alpes, é destacada pela PF como parte do conjunto de indícios analisados no caso.
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Contexto da investigação e vínculos familiares
A apuração também envolve a CNFL Empreendimentos Imobiliários, à qual estão ligados familiares de Ciro Nogueira, incluindo Maria Eduarda, Iracema Nogueira e Eliane Nogueira, além do próprio senador e do irmão dele, Raimundo Nogueira. A PF mandou diligências na empresa, que recebeu pagamentos de uma companhia associada ao dono do Master.
Dados da Junta Comercial do Piauí indicam que Maria Eduarda e Eliane possuem, cada uma, 47% de participação na CNFL. Iracema tem 5%, enquanto Ciro detém 1%. A PF analisa se parte dos pagamentos recebidos pela empresa teria associado vantagens indevidas ao suposto esquema envolvendo o Master.
Essa linha de investigação amplia a proximidade entre as famílias Nogueira e Vorcaro, já lembrada em etapas anteriores da operação. A PF busca esclarecer se os repasses financeiros e a participação societária teriam funcionado para ocultar beneficios indevidos.
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Reações e desdobramentos
Ciro Nogueira divulgou nota nas redes sociais, reagindo à ação da PF. O senador afirmou haver uma tentativa de manchar sua honra, atribuindo o episódio a perseguições políticas em ano eleitoral. Ele lembrou investigações anteriores que, segundo ele, foram arquivadas com a comprovação de sua inocência.
Na nota, o parlamentar reforçou que continuará atuando politicamente no Piauí e que não pretende se afastar da vida pública, afirmando que o povo que confia nele o motiva a seguir em frente. Ele também citou o impacto de denúncias na imagem pública e discordou de ataques sem fundamentação.
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Efeitos políticos e agenda
Um efeito imediato da operação foi a atualização de agendas políticas: a cerimônia de apoio à pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, prevista para esta semana, foi cancelada. A data de uma nova definição não foi anunciada.
O caso envolve, ainda, o papel de Vorcaro como financiador de viagens e a participação societária de familiares do senador em empresas vinculadas a ele. A PF continua coletando informações para esclarecer o conjunto de transações e vínculos na investigação.
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