O Congresso da Argentina aprovou uma reforma na Lei dos Glaciares, alterando o atual regime de proteção de geleiras e áreas de congelamento. A mudança transfere o poder de decidir a proteção ambiental das áreas de mineração para governos provinciais. A nova regra utiliza a “função hídrica relevante” para sustentar ou suspender a proteção.
A medida envolve o eixo entre o governo de Milei, que vê no futuro da mineração uma prioridade, e a oposição peronista com ativistas ambientais. A Câmara dos Deputados aprovou a reforma no mês passado, após debate que dividiu lideranças e legisladores. A votação mobilizou setores econômicos e ambientais.
Cenário de forte mobilização pública acompanha o tema. Propostas de Minas e alternativas de exploração de cobre e lítio passam a depender de autoridades locais, sob justificativa de alavancar exportações de terras-raras. Críticos afirmam que a mudança pode afetar a água de várias regiões.
Cartazes de protesto foram vistos em Buenos Aires, com mensagens contra a nova lei dos glaciares. Em Santa Cruz, província com grande concentração de geleiras, tribunais frearam temporariamente a vigência da reforma, em decisão recente. O tribunal pediu avaliação de impactos.
Especialistas lembram que os glaciares funcionam como reservatórios de água, com vazões críticas em períodos de seca. A queda na área de gelo pode reduzir a disponibilidade de água para cidades, agricultura e vinicultura em Mendoza e San Juan, entre outras regiões.
Projeções indicam que, se aprovada, a exploração próxima aos glaciares pode afetar até 7 milhões de pessoas que dependem da água dos rios andinos. Além disso, cálculos apontam que o recuo do Perito Moreno já chamou a atenção da comunidade científica pela instabilidade das montanhas.
Entre na conversa da comunidade