O vazamento de dados de eleitores na Alberta, Canadá, expôs informações pessoais altamente confidenciais em mãos de atores mal-intencionados, segundo especialistas em segurança. O caso envolve um grupo de direita separatista que teve acesso indevido à lista de eleitores da província.
A base de dados da Elections Alberta, administradora das eleições, contém nomes, endereços residenciais e contatos de cerca de 2,9 milhões de eleitores. A agência abriu investigação sobre como o grupo de linha extremista conseguiu acessar a lista e usá-la para alcançar votantes.
O episódio emergiu após relatos de que o Centurion Project, liderado por Emmott Kelsey, planejava campanhas de mobilização baseadas em dados. O grupo apontou potencial uso de uma plataforma tecnológica que, segundo ele, seria inovadora para campanhas.
Investigações e desdobramentos
Em março, uma jornalista recebeu informações de que a Centurion teria obtido cópia da lista de eleitores. Segundo a fonte, o acesso ocorreu sem nomes reais ou dados pessoais identificáveis, dificultando rastreamento inicial. A repórter encaminhou o caso à Elections Alberta.
Um mês depois, a Elections Alberta obteve ordem judicial para interromper o uso da base de dados e abriu uma investigação formal. Além da agência provincial, a Polícia Federal do Canadá (RCMP) e o comissário de privacidade de Alberta participam das apurações.
Segundo a EA, a lista teria sido originalmente disponibilizada legalmente a um partido conservador da província, que acabou compartilhando o material de forma indevida. O partido afirmou ter orientado a Centurion a não usar os dados e disse que colaboraria com a apuração.
A situação provocou críticas ao governo provincial pela condução da investigação, enquanto autoridades destacam a gravidade do incidente para segurança de dados e integridade eleitoral. Ao todo, quase 600 pessoas teriam acessado a lista.
Parker, figura central do Centurion Project, negou ter usado a lista do partido e afirmou que o conjunto de dados vem de terceiros. Ele disse que o aplicativo foi desativado até assegurar conformidade com leis de privacidade.
O caso também gerou debates sobre influência externa na política provincial, com autoridades e analistas destacando riscos de uso de dados para campanhas e a necessidade de reforçar proteção a informações de eleitores.
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