A gestão da ministra Cármen Lúcia à frente do TSE ficou marcada pela morosidade em dois dos julgamentos mais relevantes da corte nos últimos anos. Os casos envolvem ex-governadores do Rio de Janeiro e de Roraima, ambos com desfechos complexos e impactos políticos. A indefinição ampliou tensões em seus estados.
Conforme o tribunal, a demora decorreu de pedidos de vista de outros ministros, atrasos que favorecem a percepção de lentidão institucional. Paralelamente, o TSE tem reforçado o combate a candidaturas laranjas e à infiltração de facções em espaços de poder, segundo interlocutores da magistrada.
Os casos ressaltam o desafio de conciliar prazos processuais com o calendário eleitoral. A jurisprudência construída pelo TSE busca clarear regras e reduzir ambiguidades na atuação de governantes e gestores públicos.
Caso Rio de Janeiro
No Rio, não há definição sobre eleição direta, indireta ou extensão do mandato do presidente do TJRJ, Ricardo Couto. A indefinição depende de desdobramentos do processo envolvendo Cláudio Castro (PL).
O TSE já apontou abuso de poder político contra Castro, em decisão anunciada no fim de março, após ele renunciar ao mandato. Adversários acionaram o Supremo para questionar a renúncia e a possibilidade de eleição direta.
O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Antes disso, outros ministros criticaram a condução do caso, ampliando a percepção de atraso no julgamento.
Caso Roraima
Em Roraima, a eleição para definir o governo em mandato-tampão já estava prevista, mas o TSE levou quase dois anos para concluí-la. Antonio Denarium (PP) foi alvo de cassação pelo TRE-RR em várias ações.
O julgamento teve momentos de retomada, com sustentações orais em agosto de 2024. O voto da relatora foi seguido por outros ministros, mas novos chamados de vista atrasaram o progresso.
O processo passou por cobranças internas e reapresentações de votos ao longo de 2025, até a decisão final anunciada em 30 de abril, encerrando a cassação de Denarium.
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