Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Safatle analisa fascismo e democracia

Safatle sustenta que o fascismo nunca saiu da sociedade: degradação do tecido social e adoecimento psíquico alimentam um fascismo estrutural presente hoje

Safatle mergulha numa reflexão da qual é difícil sair ileso
0:00
Carregando...
0:00

O filósofo Vladimir Safatle lança em Brasília, nesta sexta-feira, o ensaio A ameaça interna — Psicanálise dos novos fascismo globais, publicado pela Ubu Editora. A obra analisa a ascensão da extrema-direita e questiona o papel do fascismo na democracia contemporânea, apontando uma “decomposição do tecido social” e o adoecimento psíquico das populações.

Safatle afirma que o fascismo nunca esteve ausente da democracia atual e sustenta que não existe sociedade para todos. O autor, professor da USP, ressalta que o fascismo integrou estruturas sociais brasileiras, citando a Ação Integralista Brasileira e a presença de linhas duras em ditaduras. O livro propõe entender esse fascismo estrutural como parte da realidade brasileira desde há décadas.

O ensaio defende que o fascismo não é exceção, mas norma presente em diferentes escalas. Safatle relembra o alcance do integralismo na década de 1930 e observa que as gerações seguintes mantiveram vínculos com esse movimento, mesmo em períodos democrático-liberais. O pesquisador descreve o fenômeno como um eixo que persiste na sociedade brasileira.

Em entrevista ao Correio, o filósofo comenta a ideia de “fascismo restrito” e explica que o fascismo está presente de modo normal, variando conforme a perspectiva de cada grupo. Segundo ele, a questão central é entender quem compõe a democracia e como diferentes realidades sociais enxergam direitos e proteção.

Safatle aponta que não apenas no Brasil há indícios da normalização da violência associada ao fascismo. Ele cita experiências de populações negras nos EUA e países europeus, ressaltando que preconceito, discriminação e precarização histórica alimentam uma leitura autoritária de democracia. O autor afirma que a solução não reside em modelos democráticos tradicionais.

Para o pesquisador, o sofrimento psíquico generalizado indica potencial de transformação política. Dados sobre saúde mental no Brasil, como altos índices de depressão e ansiedade, são apresentados como evidências de problemas estruturais. A esperança, segundo Safatle, depende da mobilização de uma nova imaginação política de democracia real.

O livro também analisa a racionalidade por trás do apoio à extrema-direita. Safatle argumenta que muitos eleitores veem uma escolha calculada diante de crises econômicas prolongadas, optando por uma partilha desiguais de recursos. A partir dessa leitura, o ensaio descreve uma lógica de “eu primeiro” como eixo de políticas de endurecimento social.

O autor cita Carl Schmitt para discutir a definição de inimigo e a necessidade de polarização como elemento da constituição do povo. Safatle defende que a polarização é essencial para contrabalançar a atuação da extrema-direita, que, segundo ele, tende a impor seus critérios sobre o restante do espectro político.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais