O Centro de São Paulo completa um ano desde o esvaziamento da Cracolândia. Em 14 de maio de 2025, a Rua dos Protestantes amanheceu vazia, após um período de intenso deslocamento de dependentes químicos. A dispersão ocorreu ao longo de ações integradas entre governo estadual, prefeitura e forças de segurança.
Ao longo de 12 meses, a região central passou por uma transição marcada por operações de alto impacto, mudanças urbanas e novas estatísticas de segurança. A narrativa oficial aponta queda de violência e ampliação da rede de saúde como resultados priorizados.
Segundo o governo, o esvaziamento não resulta de uma única ação, mas de fatores estratégicos. Entre eles, desocupações na Favela do Moinho, fechamento de pontos de apoio e repressão a locais usados para lavagem de dinheiro do crime.
Relatórios indicam migração de criminosos e usuários para áreas como a Comunidade do Gato, após operações no Moinho. Medidas como as operações Downtown e Salus et Dignitas também contribuíram para reduzir fluxos de drogas para a Cracolândia.
O uso do canil da Guarda Civil Metropolitana foi destacado como fator de inibição de entorpecentes. O endurecimento também coincidiu com aumento de internações e com o registro de abstinência que impulsionou a procura por serviços de saúde durante o esvaziamento.
Um ano depois: números e impactos
Ao comparar 2023 com 2026, a SSP aponta grandes quedas em roubos na região central, com diminuição de cerca de 70% no entorno dos 3º e 77º Distritos. O indicador aponta menor incidência de ocorrências no período.
A percepção do comércio local é de melhora gradual. Um comerciante relata que, no passado, a insegurança era tão intensa que havia consumo de venda entre usuários de droga. Hoje o clima mais estável ainda depende da retomada do fluxo de clientes.
Para o poder público, a desarticulação do fluxo é vista como vitória de políticas integradas. O vice-governador afirma que o movimento na Cracolândia chegou ao fim e não deve retornar, com ações de mapeamento de usuários.
A rede de saúde estadual destaca o Hub de Cuidados em Crack, com dezenas de milhares de atendimentos e encaminhamentos para centros de desintoxicação e casas terapêuticas. A expansão prevista alcançaria o interior do estado.
Na prefeitura, agentes de abordagem diárias atuam junto a ações de saúde e urbanismo. Também foi anunciada a construção de um conjunto habitacional com praça e parque no ex-local da concentração de usuários.
Questionamentos e controvérsias
Movimentos civis contestam a versão oficial, alegando fragmentação do fluxo pela cidade e não solução do problema. Afirmam que a dispersão deixou áreas dispersas, com pessoas em situação de rua em diferentes pontos.
Poucas ações de redução de danos são mencionadas pelos críticos, que também apontam episódios relatados de violência policial durante intervenções. A Corregedoria da GCM afastou guardas envolvidos em ações anteriores.
O desaparecimento de imagens do sistema Smart Sampa durante a semana de esvaziamento gerou críticas. A prefeitura sustenta que o material foi apagado automaticamente após o prazo previsto na LGPD, alegação contestada por oposicionistas.
A construção de um muro na Rua General Couto Magalhães também gerou debate, com o PSOL solicitando o monitoramento judicial. A prefeitura afirma que a estrutura visa segurança de pedestres e substituição de tapumes deteriorados.
Secretarias e movimentos continuam monitorando novas aglomerações, incluindo zonas como Avenida Roberto Marinho e Ceagesp, como parte de vigilância e planejamento urbano para evitar novas concentrações.
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