A maioria dos brasileiros vê a relação entre o governo Lula e o Congresso como mais de confronto do que de cooperação. Dados do Datafolha divulgados nesta segunda-feira apontam 70% nessa percepção, frente a 20% que veem mais cooperação. 2% não veem nem um, nem outro e 8% não souberam responder.
A pesquisa foi realizada entre 12 e 13 de um mês recente, com 2.004 brasileiros em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, conforme o Datafolha.
A sondagem ocorre em meio a embates entre Executivo e Legislativo. O episódio de maior repercussão terminou com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para o STF. O resultado ampliou o desgaste entre as duas casas.
Panorama recente do Legislativo
Em 2023, o Congresso retirou competências de pastas como Meio Ambiente e Povos Indígenas. Em 2024, houve derrubada de vetos sobre leis de segurança de presos e uso de agrotóxicos. Em 2025, votaram mudanças em alíquotas do IOF e derrubaram decreto presidencial.
Entre as medidas aprovadas, destaca-se a reforma tributária e a isenção do IR para salários até R$ 5.000. O governo também fechou acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para votar a extinção da escala de trabalho 6×1. O objetivo é acelerar pautas.
Caso Master e desdobramentos
O Datafolha ressalta que o tema Banco Master ganhou protagonismo. O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter mantido contato com o empresário Vorcaro para financiamento de um filme. O senador Ciro Nogueira é citado como possível beneficiário de repasses atribuídos ao Master, o que ele nega.
Em meio a esse cenário, o presidente do Senado e membros da Câmara buscam equilibrar agendas. A votação da proposta que acaba com a escala 6×1 continua em foco, enquanto as discussões sobre a PEC da Segurança Pública seguem sem conclusão.
Avaliação do desempenho do Congresso
A percepção negativa persiste: 37% consideram o Legislativo ruim ou péssimo, ante 15% que avaliam como bom ou ótimo. 43% veem o órgão como regular. Em comparação com dezembro, houve estabilidade, apesar de o quadro ter ficado mais desfavorável em relação a março.
A percepção varia por perfil: empresários e pessoas com ensino fundamental completo aparecem com 21% de avaliação positiva, enquanto 47% de funcionários públicos avaliam negativamente. Grupos de maior instrução tendem a apontar mais insatisfação.
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