O museu canadense de Direitos Humanos, em Winnipeg, recebeu uma ameaça de ação legal por parte de uma organização israelense em relação à exposição Nakba. O caso envolve a mostra Palestine Uprooted: Nakba Past and Present, que tem abertura marcada para 27 de junho. A instituição é acusada de politizar a história e de erigir uma plataforma para defesa de uma visão parcial.
Shurat HaDin – Israel Law Center enviou, nesta semana, uma reclamação formal ao conselho e à alta direção do museu. O grupo afirma que a exposição contribui para a divisão e o mal-entendido, além de acusar a apresentação de deslegitimar a autodeterminação judaica e estimular hostilidade contra a comunidade judaica.
A mostra aborda a expulsão de cerca de 750 mil palestinos em 1948, após a criação do Estado de Israel. Segundo a organização, a apresentação também preocupa governos locais e nacionais, por tratar de direitos humanos relacionados a deslocamentos forçados. O material destaca relatos de palestino-canadenses.
Contexto e desdobramentos
O museu aponta que a exposição utiliza depoimentos, fotografias, arte e textos para explorar violações de direitos humanos associadas ao deslocamento contínuo. A curadoria foi desenvolvida com apoio de uma rede de especialistas e acadêmicos.
A controvérsia sobre perspectivas palestinas em museus ocidentais aumentou após ataques de outubro de 2023 e as respostas subsequentes em várias instituições. Organizações internacionais anotam números elevados de vítimas e deslocados no conflito.
O documento de 7 páginas que acompanha a reclamação pede a suspensão da exposição, a realização de uma revisão legal e acadêmica independente do conteúdo, e uma retratação pública sobre alegações de violação de direitos humanos. O texto não especifica quais leis seriam violadas.
Um porta-voz do museu confirmou à ARTnews a recepção da carta, que está sendo analisada, e informou que a abertura permanece prevista para acontecer conforme o cronograma, sem comentar mais detalhes. A instituição não divulgou prazos adicionais.
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