O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou que os diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Daniel Vorcaro provocaram desgaste político no campo conservador e criaram incertezas sobre a corrida presidencial. Em entrevista ao CB.Poder, Salles disse que a proximidade entre Flávio e Vorcaro gera desconforto dentro da direita.
Segundo o parlamentar, os desdobramentos do caso comprometeriam a viabilidade eleitoral do senador. Ele afirmou ainda que, na visão dele, a relação com Vorcaro tornou-se a principal fonte de toxicidade no cenário político brasileiro e que isso tende a afetar o desempenho de nomes ligados ao bolsonarismo.
Na entrevista, Salles revelou que seu candidato à Presidência continua sendo Romeu Zema, do Novo, apesar de Flávio Bolsonaro manter posição de liderança entre candidatos do bolsonarismo. O deputado afirmou que o caso resultou em prejuízo político imediato para Flávio Bolsonaro.
Cenário político e impactos
O deputado ressaltou que não é confortável ver qualquer candidato da direita associado a Vorcaro. Ele citou que as consequências aparecem no ritmo de alianças e na percepção do eleitorado, recalibrando as estratégias de campanha de lideranças associadas ao bolsonarismo.
Salles também comentou a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assumir protagonismo na disputa presidencial. Ele afirmou que Michelle construiu espaço político próprio, com atuação em pautas sociais e no PL Mulher, o que, na visão dele, lhe conferiria credenciais para pleitear a Presidência, dependendo da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do PL.
Relações externas e alianças
Ao tratar da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o deputado criticou a tentativa de associar a imagem do parlamentar às medidas tarifárias dos EUA contra o Brasil. Salles disse que nenhum brasileiro deveria defender sanções ao próprio país, e avaliou que os EUA continuam uma relação mais estável que a China em termos de acordos e investimentos estratégicos, desde que questões sensíveis, como infraestrutura e energia, sejam geridas com cautela.
O congressista confirmou ainda apoio à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao mesmo tempo, reforçou críticas ao Centrão, acusando o grupo de manter um modus operandi baseado na ocupação de cargos públicos e influência sobre estruturas do Estado, independentemente da orientação ideológica.
Estadualmente, Salles destacou casos recentes envolvendo investigações políticas para justificar suas críticas ao Centrão. A entrevista à imprensa ocorreu no contexto de acalorados debates sobre coalizões e estratégias eleitorais para 2026, com foco nas potencialidades de cada nome, dentro de um quadro de tensão entre alianças conservadoras e cenários de campanha.
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