A Polícia Federal identificou o repasse de 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira. A transação consta no escopo da investigação sobre esquema de sonegação e corrupção envolvendo o conglomerado de combustíveis, liderado por Ricardo Magro. O dinheiro chegou a uma empresa com o sobrenome do parlamentar, segundo apuração.
A PF analisou a contabilidade de fundos e empresas do grupo e localizou o pagamento do Athena para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A origem dos recursos envolve uma holding no exterior vinculada ao mesmo grupo. A contabilidade, porém, não explica o motivo do pagamento ou detalhes do negócio.
O STF autorizou, na semana passada, a Operação Sem Refino, que mira o ex-governador do Rio Cláudio Castro e abriu mandados de prisão contra Ricardo Magro, hoje foragido. Magro lidera o grupo considerado o maior devedor contumaz de impostos no Brasil, segundo a Receita Federal.
Investigações e desdobramentos
O pagamento à empresa da família de Ciro Nogueira é objeto de aprofundamento das investigações. Um ex-assessor do senador chegou a ser alvo de busca e apreensão durante a operação. A PF aponta padrões de movimentação atípicos, com recursos passando rapidamente aos beneficiários finais sem detecção de despesas operacionais.
A PF também identificou repasses de 1,3 milhão de uma empresa ligada à Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário executivo da Casa Civil na gestão de Ciro Nogueira no governo federal. O policial afirmou que os valores saem rapidamente da conta, caracterizando passagem de recursos.
O senador Ciro Nogueira afirmou, por meio de nota, que o pagamento decorre da venda de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis, de forma regular e declarada. Ele disse não deter participação relevante na empresa no período e reiterou tranquilidade em esclarecer os fatos.
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