A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente nesta quinta-feira, 21 de maio, na mansão em Alphaville, Barueri (Grande São Paulo). A prisão integra a Operação Vérnix, ação conjunta do Gaeco do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, que investiga uma rede de lavagem de dinheiro ligada à facção PCC. A investigação aponta que Deolane atuaria como “caixa do crime organizado”, usando projeção pública e estrutura empresarial para legalizar recursos ilícitos da cúpula do PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de ativos da ordem de R$ 327 milhões, a apreensão de 17 carros de luxo e quatro imóveis ligados à operação. Do total, os bens de Deolane Bezerra bloqueados somaram R$ 27 milhões. A apuração teve início em 2019, a partir de bilhetes encontrados na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que apontavam planos de atentados e ligava uma empresa de transportes a lideranças prisionais do PCC.
A investigação revelou movimentações suspeitas entre 2018 e 2021, com depósitos fracionados para a contabilidade de Deolane, conhecidos como smurfing. Ao todo, agentes identificaram depósitos diretos na conta dela, além de quase 50 transações para empresas associadas a uma suposta companhia de crédito, administrada por um morador da Bahia com renda mensal de um salário mínimo. A polícia afirma também que a influenciadora abriu 35 empresas fantasmas em endereço único.
Contexto da operação e desdobramentos
O inquérito aponta ainda que o filho mais velho de Deolane, Giliard Vidal dos Santos, movimentou cerca de R$ 11 milhões em 2023, apesar de declarar patrimônio de apenas R$ 32,9 mil. A defesa da influenciadora sustenta que há perseguição e classifica a prisão como montagem ou cortina de fumaça para problemas políticos, sem detalhar. A operação também envolve parentes de Marcola, incluindo a detenção na Espanha de Paloma Sanches Herbas Camacho, tia de um dos líderes da facção.
Deolane estava em Roma quando o Ministério Público planejou a ordem de prisão com apoio da Interpol, devido à inclusão do seu nome na Difusão Vermelha. Ela retornou ao Brasil e desembarcou na tarde de anteontem, não sendo presa no Aeroporto de Guarulhos para evitar alertar demais alvos. Uma das peças da investigação é a movimentação financeira associada a uma “companhia de crédito”, segundo apuração policial.
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