A Revolução Constitucionalista de 1932 ganhou impulso após um protesto em São Paulo ter deixado vítimas em 23 de maio daquele ano. Quatro jovens da organização civil MMDC — Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade — morreram no confronto ocorrido na esquina da Praça da República com a rua Barão de Itapetininga. Um quinto manifestante, Orlando de Oliveira Alvarenga, também ficou ferido e faleceu em agosto.
O grupo confrontava o governo de Getúlio Vargas, em apoio à autonomia de São Paulo. O episódio chamou a atenção para o clamor regional que viria a caracterizar a Revolução de 1932, marcada por tensões entre o governo federal e segmentos locais. O inquérito policial que investigou o ataque ficou perdido por décadas e só foi localizado em 2013 por uma comissão de pesquisadores do TJ-SP. O documento tem 78 páginas e reúne necropsias e relatos de sobreviventes.
Trechos do inquérito sobre os acontecimentos
Relatos de testemunhas descrevem que a multidão, estimada em mais de 300 pessoas, foi ao encontro da sede do Partido Popular Paulista, na Praça da República. Os disparos teriam vindo de dentro do prédio e de áreas próximas, com ferimentos graves em várias pessoas, inclusive nos jovens citados. Um dos depoentes informou ter sido atingido por uma bala calibre 32 e ter procurado tratamento na Santa Casa.
Outros depoimentos relatam que, ao deixar seus serviços, testemunhas ouviram tiros vindos da sede e presenciaram uma reação violenta do lado externo. Um dos homens afirmou ter visto muitos com fuzis entre a multidão e descreveu que, mesmo sem armas, houve troca de tiros prolongada. Os relatos também mencionam uma tentativa de empastelar a sede do Partido Popular Paulista, frustrada pelo conflito.
Foram apresentados laudos de necropsia que apontaram as causas das mortes: hemorragia interna provocada por ferimentos de arma de fogo, com danos no pulmão e na medula espinhal. Entre os feridos, destacam-se Dráuzio Marcondes de Souza, então com 14 anos, que viria a falecer dias depois, e Orlando Alvarenga, com ferimentos graves. O inquérito também descreve o estado de saúde dos feridos e os tratamentos realizados na época.
O material pericial inclui, ainda, descrições detalhadas dos corpos de Miragaia, Camargo Andrade e Almeida, indicando como as lesões contribuíram para o desfecho trágico. O conjunto de depoimentos e laudos compõe um retrato técnico do ocorrido, sem analisar possíveis responsabilidades políticas ou criminais, limitando-se a registrar os fatos e as consequências médicas.
Entre na conversa da comunidade