Cerca de 41 milhões de eleitores na Colômbia irão escolher o sucessor de Gustavo Petro, em 31 de maio. Três candidatos disputam o pleito: Iván Cepeda (Pacto Histórico), Paloma Valencia (Centro Democrático) e Abelardo de la Espriella, estreante na política. Eles encerraram a campanha em Barranquilla, a quarta cidade mais populosa do país. Fonte: RFI.
Valencia, em terceiro nas pesquisas, reuniu líderes regionais. De la Espriella fez um discurso solitário às margens do rio Magdalena. Já Cepeda optou por concluir o ciclo comício em um bairro popular.
A campanha ocorreu sem debates diretos, com atuação concentrada nas redes sociais e na mídia, em clima de forte polarização. Em programa de TV, De la Espriella citou o tamanho de seu órgão sexual para atrair eleitores femininos. Doze candidaturas disputam a eleição, e Cepeda aparece à frente nas sondagens de primeiro turno.
Clima de insegurança
Os riscos de violência acompanham a campanha. Regiões como Guaviare, Cauca, Antioquia, Meta e Caquetá apresentam ameaças reais a candidatos e eleitores. A Registraduría Nacional aponta falta de garantias de segurança em cerca de cem municípios para o transporte de material eleitoral.
A Missão de Observação Eleitoral ressalta riscos em centenas de cidades, sem evidência de interferência direta no voto. Em junho de 2025, um atentado contra o senador Miguel Uribe, pré-candidato do Centro Democrático, ilustrou o alvo de guerrilhas, paramilitares e máfias. Houve, ainda, ataques em 25 de abril que deixaram cerca de 20 mortos no Cauca.
Nos últimos meses, ocorreram ataques a equipes de Valencia e de De la Espriella. As lideranças atribuíram a violência ao governo. Valencia pediu garantias, enquanto De la Espriella reforçou a imagem de outsider.
Iván Cepeda, o favorito das pesquisas
Cepeda lidera as sondagens e ganhou impulso com a vitória legislativa do Pacto Histórico em março. Observadores destacam que ele depende de manter distância do governo para não carregar seus fracassos. Filho de um líder comunista assassinado, Cepeda é defensor dos direitos humanos e atua com base na chapa com Aida Quilcué, senadora de origem indígena.
Na direita, o choque entre Valencia e De la Espriella pode definir a disputa. Valencia defende linha dura na segurança e posições conservadoras. Ela escolheu um vice, Juan Daniel Oviedo, o primeiro homem abertamente gay em uma chapa presidencial na Colômbia, como tentativa de modernização.
De la Espriella, advogado de perfil outsider, sustenta um discurso radical, com acusações não comprovadas de vínculos com narcotráfico e paramilitarismo. O candidato tem ligações históricas com líderes de grupos paramilitares e já admirou figuras como Salvatore Mancuso, além de ter assessorado o líder das AUC Carlos Castaño.
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