Durante a abertura do CB* Debate Escala 6×1: Em Busca do Equilíbrio na Jornada de Trabalho, promovido pelo Correio, a secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, defendeu que mulheres precisam estar no centro do debate sobre a redução da jornada. O evento ocorreu nesta terça-feira, 26 de maio, e discute o fim da escala 6×1.
Kennedy ressaltou que não é possível tratar carga horária sem considerar a realidade feminina no mercado de trabalho e nas famílias brasileiras. Ela informou que 56% da população economicamente ativa é feminina, e 44% das mulheres ocupadas cumprem jornadas de 44 horas semanais, grupo mais impactado pela discussão. A secretária aponta ainda a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados como elemento central da agenda.
Ela destacou que 51,7% dos lares são chefiados por mulheres, e cerca de 30% dessas famílias são formadas por mães solo. A dupla ou tripla jornada enfrentada pelas mulheres é agravada pela responsabilidade maior nos cuidados com filhos, idosos e organização da casa. Kennedy afirma que a carga horária adoece as mulheres de forma particular.
Políticas públicas para o cuidado
Durante o discurso, a secretária defendeu que a redução da jornada seja acompanhada de políticas públicas de cuidado, como creches em tempo integral, escolas integrais e centros de atendimento para idosos. O governo federal passou a tratar o tema como assunto público com a Política Nacional do Cuidado e o Plano Nacional do Cuidado. Kennedy afirma que a agenda precisa envolver mudanças culturais e maior participação masculina.
Ela destacou ainda que a divisão do cuidado recai de forma desigual sobre as mulheres e requer mudanças estruturais na sociedade. Segundo a representante, o objetivo é que o Estado olhe para a carga horária e para a organização familiar como parte de uma mesma agenda nacional.
Desigualdade salarial
A secretária ressaltou que, apesar do avanço da participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres ainda recebem, em média, 21% menos que os homens. O impacto da jornada extensa é ainda mais grave para trabalhadoras de baixa renda, em especial aquelas sujeitas à escala 6×1, com longos deslocamentos entre regiões periféricas e centros de trabalho.
Kennedy mencionou uma plenária em Belém com cerca de 400 mulheres para tratar saúde, cuja principal preocupação foi o adoecimento mental causado pela sobrecarga. O tema central foi a saúde mental diante da sobrecarga feminina, segundo a secretária.
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