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Congresso aprova lei que proíbe uso de satélite de desmatamento na Amazônia

Projeto de lei barra uso de imagens de satélite para restringir desmatamento, exigindo verificação no local, podendo comprometer cerca de setenta por cento das ações do Ibama na Amazônia

Environmental police operation against illegal deforestation in Espigão do Oeste, Rondônia in the Brazilian Amazon. Image courtesy of Fernando Augusto/Ibama.
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O Congresso brasileiro aprovou um projeto de lei que proíbe órgãos ambientais de usar imagens de satélite para restringir a exploração comercial de terras desmatadas ilegalmente. A verificação, segundo o texto, deve ocorrer no local, com ações confirmadas por autoridades no terreno.

A proposta, apresentada pelo deputado Lucio Mosquini, aponta que a fiscalização apenas por satélite violaria o direito de defesa dos produtores. O texto ainda depende da sanção presidencial para virar lei.

A mudança foi aprovada em 20 de maio e seguirá para análise do Senado. A medida afetaria ações da Ibama, o órgão ambiental federal, na Amazônia e em parte da cobertura territorial do país.

Impactos na fiscalização

IBAMA usa imagens para detectar desmatamento ilegal e impor embargos a áreas com uso proibido. A decisão pode restringir esse funcionamento, dificultando a restrição de atividades comerciais.

A ferramenta DETER, do INPE, recebe imagens a cada 15 dias para indicar pontos de desmatamento. Com a lei, inspetores teriam que ir ao local para agir, o que aumenta custos e o tempo de resposta.

De acordo com o Ibama, a mudança tornará a fiscalização mais lenta. O órgão possui cerca de 1.250 agentes para cobrir áreas enormes, o equivalente a metade de territórios com dimensões continentais.

Entre janeiro e setembro de 2025, o Ibama emitiu 3.520 blocos de ocupação para desmatamento, com 60% deles na Amazônia. Esses números dependem de verificação presencial para cada medida.

Reações e posicionamentos

O criador do projeto, Mosquini, afirmou que a lei garante o direito de defesa e o devido processo, evitando ações rápidas sem procedimentos legais.

A ex-ministra Marina Silva alertou que a proposta coloca em risco agentes da fiscalização, citando ataques a agentes em março de 2025 durante operações contra exploração ilegal de madeira no Amazonas.

Silva comparou a mudança a exigir interação direta entre radar e infrator, sugerindo que o monitoramento por satélite é fundamental para a segurança e a eficácia das ações.

O projeto está encaminhado ao Senado para apreciação. A decisão final pode manter ou alterar o papel das imagens de satélite na fiscalização ambiental.

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