O Instituto LACLIMA lançou um relatório inédito que analisa as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países do G20 com foco nas metas para 2035 e na implementação. O estudo avalia o cenário pós Global Stocktake e observa avanços na qualidade técnica e institucional, mas aponta diferenças metodológicas que dificultam a comparabilidade entre países.
O documento destaca o maior uso de metas absolutas de emissões e a redução de abordagens baseadas em BAU. Entretanto, a transparência avançou mais que a comparabilidade, com discrepâncias em ano-base, métricas, cobertura setorial e desenho metodológico. Esses fatores impactam a leitura homogênea da ambição.
Segundo André Castro Santos, diretor técnico da LACLIMA, o G20 segue central na ação climática, mas as NDCs ainda não são plenamente comparáveis. O relatório aponta ganhos na formulação de metas e na transparência, ao mesmo tempo em que ressalta diferenças metodológicas que exigem cautela na leitura da ambição.
Pontos-chave do estudo
O relatório enfatiza que a ambição não se resume ao volume de redução. A distribuição temporal do esforço importa: alguns países concentram cortes até 2030, outros deslocam reduções para 2035. Não há um padrão único de trajetória entre as nações do grupo.
Outro aspecto é a adoção crescente de metas baseadas em emissões líquidas. O estudo lembra que remoções não substituem cortes diretos, especialmente quando dependem de remoções sujeitas a reversões em biomassa.
No campo social, a transição justa ganha destaque, ligando metas a inclusão, proteção social, qualificação e geração de empregos. A viabilidade depende da legitimidade social e política das medidas.
André Castro Santos reforça que a transição de baixo carbono envolve decisões econômicas e institucionais. A leitura das metas exige atenção tanto ao que é prometido quanto à implementação.
O relatório também ressalta financiamento, tecnologia,capacitação e instrumentos de mercado como fatores decisivos para a implementação. Em muitos países em desenvolvimento, ainda há distância entre ambição declarada e implementável.
Estados Unidos recebem observação específica: a NDC foi incluída no estudo, mas o país se retirou do Acordo de Paris em janeiro de 2026, o que afeta a previsibilidade de suas metas. A leitura comparativa deve considerar esse contexto.
O relatório visa tornar legíveis padrões, lacunas e assimetrias entre os compromissos do G20, oferecendo base comparativa para governos, sociedade civil, academia e setor privado em um momento decisivo para o ciclo pós-GST.
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