O Exército brasileiro pode destravar uma licitação bilionária para modernizar a artilharia com a parceria entre a Elbit Systems e a Avibras. A AEL Sistemas negocia com a Avibras Aeroco para fabricar em Jacareí o sistema Atmos de obuseiros autopropulsados de 155 mm, sobre rodas. O contrato é estimado em cerca de 800 milhões de reais.
A licitação vencedora, que utilizaria o Atmos 2000 da Elbit, foi suspensa em 2024 devido à guerra entre Israel e o Hamas. Com a possibilidade de nacionalizar a produção, o Exército busca estimular a base industrial de defesa e reduzir dependências externas.
Na prática, a ideia envolve integrar o sistema Atmos, desenvolvido pela Elbit, com o veículo de chassis Tatra utilizado pela Avibras no Astros. Também está em pauta o sistema de lançadores PULS, da Elbit, capaz de disparar munições diversas a partir de uma mesma plataforma.
Avanços e visita institucional
Em setembro, o Exército realizou uma visita a 18 unidades fabris da Avibras, com a presença de autoridades militares. O grupo observou a retomada parcial das atividades, com cerca de 500 funcionários, um terço do contingente anterior. A viagem não tratou formalmente do Atmos, mas houve discussões preliminares sobre a nacionalização.
Oficialmente, a Avibras apresenta cautela sobre o tema, considerando fatores empresariais e políticos. A empresa atua após receber aporte de investidores, incluindo nomes ligados ao setor privado brasileiro, e prevê entregar os primeiros lotes de munições ainda neste ano.
Entre as expectativas, está a possibilidade de o Atmos ser montado no chassis Tatra, facilitando a logística do Exército. A Elbit reforça a ideia de aproveitar estruturas logísticas já existentes para viabilizar a produção local.
O processo de compra do VBCOAP teve início em 2017, com previsão de conclusão apenas em 2034. O objetivo é renovar a artilharia divisionária e avançar em programas de defesa antiaérea, além de alinhar-se a estratégias para o uso de drones e novas capacidades militares na região.
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