O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite afirmou nesta quinta-feira (17) que não está foragido e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele é alvo de um mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em diversos setores do poder público, como o de transporte coletivo.
Policiais foram até a residência de Leite, em Interlagos, na manhã desta quinta, mas não o encontraram. Em nota enviada à imprensa, o ex-vereador afirmou que estava viajando e negou as acusações.
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência”, afirmou.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo com apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A apuração é um desdobramento da Operação Decúrio e mira uma estrutura que teria utilizado empresas, agentes privados e agentes públicos para atender a interesses da organização criminosa, inclusive por meio de contratos públicos.
A prisão temporária de Leite foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Na decisão, o ex-vereador é citado nominalmente como responsável direto pela operação de algumas das empresas apontadas pelos investigadores como controladas pelo PCC.
O documento menciona ainda declarações de policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar segundo as quais Leite seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa que atuava no sistema de transporte coletivo da capital e que já havia sido investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção, no âmbito da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024.
Na época, Leite também foi citado nas apurações, mas negou controle sobre a companhia ou envolvimento com a facção.
A decisão do TJ-SP que determinou a prisão tem caráter cautelar e ressalta que as medidas não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos investigados.
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Veja a nota de Milton Leite na íntegra
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.
Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência.
A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor.”
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