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Conselho do MPF forma maioria contra afastamento de Gonet do caso Master

Colegiado também analisa se aprofunda apuração sobre atuação do PGR após ser mencionado em mensagens de Vorcaro

Paulo Gonet, procurador-geral da República (Foto: MPF)

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) formou, na tarde desta sexta-feira (25), maioria contra o pedido de afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos processos sobre o Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Com seis votos proferidos, o placar está em 6 a 0 contra o afastamento.

Já na discussão sobre a continuidade de uma apuração preliminar interna, o julgamento está empatado em 3 a 3.

O procedimento analisa a atuação do chefe da PGR após seu nome ser citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Por ser o alvo do procedimento, Gonet não participa da votação. A sessão extraordinária é conduzida pelo vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino.

Votos dos conselheiros

O subprocurador-geral e relator do caso, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou contra o aprofundamento da apuração. Ele rejeitou o pedido para designar outro subprocurador-geral da República para analisar a eventual prática de crime por Gonet.

Em sua justificativa, o relator afirmou que não há indícios que demonstrem uma relação de proximidade entre Paulo Gonet e Daniel Vorcaro. Sanseverino destacou que a abertura de uma investigação criminal exige “indícios mínimos de materialidade e autoria”, o que, em sua avaliação, não foi demonstrado no caso.

Ele também entendeu que uma eventual discussão sobre suspeição ou impedimento de Gonet deve ocorrer nos próprios processos em tramitação no STF, e não ser decidida diretamente pelo Conselho Superior do MPF.

Na sequência, a conselheira Janice Ascari divergiu parcialmente do relator. Embora tenha concordado que não existem elementos para a abertura imediata de uma investigação criminal, ela votou contra o arquivamento do caso e defendeu a continuidade de uma apuração preliminar.

Ascari defendeu a designação de um subprocurador para revisar os autos e esclarecer os fatos antes de uma decisão definitiva. Para ela, questões como as tratativas em torno de um evento em Londres e as menções ao chefe da PGR nas mensagens de Vorcaro ainda demandam esclarecimentos.

Em relação ao pedido de afastamento de Gonet dos processos no STF, porém, Ascari acompanhou o relator por entender que o Conselho não tem competência para tomar essa decisão.

O terceiro a votar foi o conselheiro Celso de Albuquerque Silva, que acompanhou integralmente Sanseverino. Ele também rejeitou a tese de “amizade íntima” entre Gonet e Vorcaro e considerou que o telefonema mencionado nas investigações não demonstra, por si só, relação de proximidade entre os dois.

Em seguida, Samantha Chantal Dobrowolski votou pela designação de um subprocurador-geral para dar continuidade à apuração sobre a atuação de Gonet. Já em relação ao pedido para afastar o procurador-geral dos processos do Banco Master no STF, ela votou contra a medida.

Apesar de rejeitar o afastamento por entender que o Conselho não tem competência para decidir sobre a atuação de Gonet nos processos do STF, Dobrowolski defendeu que o procurador-geral deveria ter se declarado impedido de atuar nos casos.

Ela também criticou o fato de Gonet ter peticionado ao STF pedindo a nulidade dos autos produzidos pela Polícia Federal mesmo após seu próprio nome aparecer no material, sustentando que havia interesse pessoal suficiente para que ele não atuasse naquele momento.

O conselheiro Alexandre Camanho foi o quinto a votar. Ele se posicionou contra a designação de um subprocurador para aprofundar a apuração e também contra o afastamento de Gonet.

Na sequência, o conselheiro José Adônis Callou de Araújo Sá votou favorável a dar continuidade à apuração sobre a atuação de Gonet. Em relação ao pedido de afastamento do procurador-geral dos processos do Master, Adônis acompanhou o relator e votou contra a medida, por entender que o Conselho Superior do MPF não tem competência para decidir sobre o tema.

Com os votos já proferidos, o placar está em 6 a 0 contra o afastamento de Gonet e 3 a 3 sobre a continuidade da apuração interna.

O julgamento prossegue com os votos dos demais conselheiros.

Esta matéria está sendo atualizada em tempo real conforme os desdobramentos da sessão.

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