A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º) após duas determinações judiciais para mudar as regras do evento, com as quais as equipes dos candidatos haviam concordado. A emissora justificou sua decisão dizendo que as ordens significam uma “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.
O debate estava marcado para as 21h30. Por volta das 19h, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vetou o item das regras do debate que tratava de candidatos ausentes. A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, previa que, em caso de ausência, o púlpito do candidato seria mantido no cenário, mas vazio, com uma placa de identificação. Previa também que, em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes poderiam formular em 30 segundos a pergunta que fariam ao ausente.
Após a decisão da ministra, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir ao debate.
Meia hora depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido do Solidariedade e determinou a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate. A lei diz que devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV os candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, mas o Missão tem apenas um congressista. Mais cedo, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e a ministra do STF Cármen Lúcia haviam negado pedidos de Santos para participar.
Romeu Zema (Novo) reagiu ao cancelamento dizendo, em vídeo postado em suas redes sociais, que quem perde é o Brasil e a democracia.
Ronaldo Caiado (PSD) também chamou o cancelamento de “atentado à democracia brasileira”, culpando a desistência de Lula — anunciada na quarta (30) — pela falta de oportunidades de debates.
Lula, que, em vez de participar do debate, deu uma entrevista de duas horas ao podcast Flow, justificou a sua ausência no evento com os concorres criticando o formato adotado pela TV Globo.
Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala 1 minuto e espera 10 minutos. Fala 2 minutos e espera 10 minutos. Não tem sequência. Eu, sinceramente, acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada, não dá sequência. E aí o pessoal começa a fazer gracinha. Não gosto desse tipo de debate.
Flávio promoveu uma live no mesmo horário, recebendo vários aliados. Criticou Lula, o STF, e pediu aos eleitores um “voto de revolta” para vencer o pleito no primeiro turno no domingo (4).
Santos promoveu uma live na frente da sede da TV Globo, no Rio de Janeiro, onde discursou a apoiadores e chamou Flávio para debater em um bar.
+Homem joga mochila perto do STF, e polícia suspeita de bomba
+Datafolha: Lula lidera com 45% dos votos válidos contra 40% de Flávio
+Datafolha: Tarcísio lidera com 56% em SP; veja outros estados
+Flávio desiste do debate da Globo, e Gilmar garante vaga a Renan
Entre na conversa da comunidade