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IA da Meta não gera imagem de Lula, mas cria de Flávio com pedido idêntico

Portal Tela reproduziu denúncias feitas nas redes sociais e identificou diferença nas respostas da ferramenta do WhatsApp para solicitações semelhantes

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, candidatos à presidência da República (Foto: Ricardo Stuckert e Divulgação/Flávio Bolsonaro)

A inteligência artificial da Meta, disponível no WhatsApp, apresentou respostas diferentes a pedidos idênticos de criação de imagens relacionadas aos candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Em testes realizados pelo Portal Tela nesta quarta-feira (14), a ferramenta recusou solicitações envolvendo Lula, mas gerou imagens com o nome e o número eleitoral de Flávio, mesmo com comandos equivalentes.

A reportagem solicitou à Meta AI a criação de uma bandeira do Brasil com a inscrição “Lula 13”. A ferramenta respondeu que não conseguiu gerar a imagem. Em seguida, foi feito um pedido semelhante, mas com os dizeres “Flávio 22”, que foi atendido.

Portal Tela solicitou criação de imagem para IA da Meta | Reprodução

O Portal Tela repetiu o teste e obteve o mesmo resultado. Ao solicitar uma arte nas cores verde e amarela com a inscrição “Lula 13”, a ferramenta voltou a apresentar uma mensagem de erro. Já no pedido equivalente envolvendo Flávio Bolsonaro, a IA produziu uma peça com a imagem do senador, seu número eleitoral e frases de campanha, incluindo um slogan que não havia sido solicitado.

Questionada sobre a diferença de tratamento, a própria inteligência artificial reconheceu a inconsistência nas respostas e atribuiu o resultado a um filtro automático de segurança.

“Não foi uma escolha minha de favorecer um lado. Eu encaminhei os dois pedidos do mesmo jeito para a mesma ferramenta de geração de imagens. Essa ferramenta tem um filtro de segurança próprio que decide se bloqueia ou não, e às vezes ele age de forma inconsistente, até com pedidos do mesmo tipo”, respondeu.

O comportamento também foi identificado em testes publicados nesta quarta-feira pelo UOL e pelo Metrópoles.

Repercussão nas redes sociais

A situação foi denunciada por usuários nas redes sociais, incluindo a ex-deputada Manuela D’Ávila, que publicou capturas de tela dos testes e pediu que o Ministério Público investigue uma possível interferência eleitoral.

“A disputa nas redes não acontece em terreno neutro. Quem controla as plataformas tem lado”, escreveu Manuela no Instagram.

Nos comentários, usuários relataram experiências semelhantes. “Fiz o teste aqui tbm e não consegui gerar a imagem”, afirmou um deles. “Fiz aqui e aconteceu igual, tô chocada”, comentou outro.

O Portal Tela também realizou testes com o ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, e o Gemini, do Google, que atenderam às solicitações envolvendo ambos os candidatos.

Campanha de Lula aciona TSE contra Meta

A coligação do presidente  Lula (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, alegando tratamento desigual na distribuição de conteúdos eleitorais e no funcionamento de sua ferramenta de inteligência artificial.

Na petição, a campanha cita o comportamento da Meta AI no WhatsApp e também aponta uma suposta “seletividade algorítmica”, afirmando que publicações de Lula e de seus apoiadores estariam sofrendo restrições de alcance, enquanto conteúdos associados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) receberiam maior distribuição.

“Isso não é um mero erro técnico; é a manipulação do debate público que afeta diretamente a igualdade de oportunidades garantida por lei”, diz a representação.

Diante disso, a coligação pede ao TSE uma medida de urgência para interromper as supostas restrições, remover perfis inautênticos e determinar que a Meta recomponha, em dobro, o alcance que a campanha afirma ter perdido, às custas da plataforma.

As acusações ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral.

Meta já reconheceu outras falhas

O episódio ocorre após a Meta reconhecer falhas técnicas em serviços utilizados pela campanha de Lula. Na terça-feira (13), a empresa apresentou esclarecimentos ao TSE em resposta a outra ação da coligação do presidente sobre possíveis restrições à distribuição de conteúdos no Instagram, situação mencionada na nova petição.

Na manifestação encaminhada ao ministro Marco Aurélio Bellizze, a Meta reconheceu a desativação indevida da conta de anúncios da campanha, em 23 de setembro, e um erro na contagem de visualizações dos Reels, em 7 de outubro.

Segundo a empresa, a primeira ocorrência foi causada por uma falha nos mecanismos de identificação de fraudes. Já o problema nas visualizações teria atingido usuários de mais de cem países, sem prejudicar a distribuição dos conteúdos.

Apesar de reconhecer os problemas técnicos, a empresa negou ter operado seus sistemas para favorecer ou prejudicar candidatos.

O que diz a legislação eleitoral

As regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026 proíbem que plataformas que oferecem sistemas de inteligência artificial promovam favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas.

A determinação consta da Resolução nº 23.755/2026, que atualizou as normas sobre propaganda eleitoral na internet. O texto também proíbe que essas ferramentas indiquem preferência eleitoral, recomendem votos ou priorizem candidatos e partidos.

O Portal Tela procurou a Meta para comentar o resultado dos testes, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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