O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O encontro está previsto para esta quinta-feira (29), das 9h às 11h (horário de Brasília), na residência do ex-presidente.
A visita, solicitada pela defesa de Bolsonaro “em razão da necessidade de diálogo direto”, ocorre após seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas, apesar de uma determinação de Moraes que o proibia de sair do país.
Em julho, Moraes havia proibido Bolsonaro de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026. A restrição foi imposta após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura, contrariando a proibição de o ex-presidente utilizar as redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Na decisão, assinada na quarta-feira (28), o ministro autorizou o encontro com Valdemar, mas determinou que a visita siga as regras de segurança e as restrições judiciais anteriores. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por sua condenação na ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Flávio deixou o Brasil após ser intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes comum e diplomático. Ele não cumpriu a determinação, e os documentos foram cancelados. Seu nome também foi incluído no sistema de alerta migratório.
A PF informou que não há registro oficial da saída do senador pelos postos de controle migratório brasileiros.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio teria atravessado a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. De lá, teria embarcado em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, onde fez escala antes de seguir para os Estados Unidos.
Após chegar a Miami, na Flórida, Flávio divulgou uma carta na qual anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano. Na primeira versão do comunicado, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, publicou uma nova versão, na qual passou a se definir como “líder do Brasil”.
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O senador contesta o resultado do segundo turno e alega, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, já foi reconhecida por Valdemar Costa Neto e outros aliados do PL.
O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também afirmou que não há provas de fraude eleitoral. Em entrevista coletiva na quarta-feira (28), ele disse que o partido não pode sustentar as acusações feitas pelo candidato derrotado.
“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.
O encontro entre Valdemar e Jair Bolsonaro ocorre em meio à reorganização da oposição após a derrota eleitoral de Flávio. Segundo a imprensa, o presidente do PL foi surpreendido pela decisão do senador de deixar o país. A expectativa anterior dentro do partido era de que Flávio liderasse a oposição a Lula no Brasil.
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