Programas de reabilitação para dependentes químicos enfrentam críticas por táticas de humilhação
Historicamente, programas de reabilitação, como o Synanon, utilizaram táticas de humilhação e isolamento, resultando em práticas prejudiciais e cultos. Atualmente, influenciadores como Amadeo Llados reintroduzem essas abordagens nas redes sociais, gerando preocupações entre especialistas.
Em 1958, Charles Dederich fundou um programa em Santa Monica, Califórnia, que exigia que os participantes cortassem laços com familiares e amigos. As técnicas incluíam humilhação pública e choque emocional, com a ideia de “destruir para reconstruir”. Contudo, Dederich transformou o Synanon em um culto, isolando membros e promovendo atividades violentas. A organização foi dissolvida em 1991 após escândalos e problemas legais.
Atualmente, Llados, um ex-dependente químico, promove um discurso de confronto em seus vídeos, onde desqualifica amigos e familiares dos dependentes. Essa abordagem é criticada por especialistas, que alertam para os riscos de simplificações e a necessidade de tratamento especializado. Pablo Vega, diretor do Centro de Ajuda às Dependências de Tetuán, enfatiza que a dependência é uma doença cerebral e não deve ser tratada com humilhação.
A vulnerabilidade dos dependentes é um fator que pode ser explorado por líderes de grupos de reabilitação. Miguel Perlado, psicólogo especializado em cultos, destaca que a retórica de “nós contra eles” pode levar à formação de cultos, onde os dependentes se tornam devotos de um líder. O tratamento deve ser focado em empoderar o indivíduo, não em criar dependência de instituições.
A abordagem de humilhação pode gerar efeitos negativos a longo prazo, aumentando a probabilidade de recaídas. Perlado alerta que propostas simplistas e promessas de altas taxas de sucesso devem ser vistas com cautela. O caminho para a recuperação é complexo e exige um suporte adequado e especializado.
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