Mais de 3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue ainda precisam voltar aos postos de saúde para completar a vacinação. Isso porque a vacina tem duas doses, e a proteção completa só vem depois da segunda, que deve ser aplicada três meses após a primeira.
Os dados são do diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti. Segundo ele, o país já aplicou mais de 11,8 milhões de doses, sendo 7,6 milhões de primeira dose e 4,2 milhões de segunda.
Além disso, quase 4 milhões de doses enviadas aos municípios ainda não foram usadas. Gatti apresentou os números na semana passada, durante a Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, o diretor lembrou que os casos de dengue costumam aumentar no verão. Neste ano, inclusive, o aumento pode ser maior por causa do El Niño. Por isso, segundo ele, é importante completar a vacinação antes da temporada de calor.
“No caso da dengue, o ideal é vacinar no período intersazonal [quando há menos casos], para que a pessoa entre na sazonalidade protegida”, afirmou.
No entanto, segundo Gatti, convencer os adolescentes é difícil, porque eles não percebem o risco da doença.
Quem pode se vacinar
A vacina está disponível em todo o país, pelo SUS, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A vacinação começou pelos municípios mais afetados pela doença e, depois, foi ampliada aos poucos.
Segundo Gatti, quando a vacina entrou no SUS, os estudos de segurança eram mais completos para a faixa de 4 a 16 anos. Dentro desse grupo, o risco de a doença se agravar é maior entre os 10 e os 14 anos. Ainda assim, o diretor afirmou que a ampliação para outras idades é uma possibilidade, mas depende de questões de segurança, operação e orçamento.
Atualmente, a vacina aplicada no SUS é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. A fabricante não tem capacidade para atender toda a população brasileira. Mesmo assim, segundo Gatti, o fornecimento para o público-alvo está garantido. Além das doses entregues em 2024 e 2025, o contrato prevê a entrega de 9 milhões de doses neste ano e outros 9 milhões em 2027.
Vacina do Butantan
Enquanto isso, a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan continua suspensa. O Ministério da Saúde suspendeu a vacinação em junho, depois de três casos de dengue grave em pessoas vacinadas, com duas mortes, entre mais de 500 mil vacinados. Até agora, porém, não há confirmação de que a vacina tenha causado os casos.
“Isso não cancela a vacina, mas nós temos a necessidade de avaliar com estudos complementares se, de fato, o sinal de segurança representa algo que compromete”, disse Gatti.
Segundo ele, a ideia era vacinar de 40 milhões a 60 milhões de pessoas por ano com a vacina nacional.
(Com informações da Agência Brasil)
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