- A domesticação do jumento ocorreu há cerca de sete mil anos, tornando-o essencial no trabalho rural, especialmente no nordeste brasileiro.
- O rebanho nacional de jumentos sofreu uma redução de 94% desde mil novecentos e noventa e seis, segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.
- Um relatório de dois mil e vinte e quatro indicou um aumento de 160% na demanda por pele de jumentos entre dois mil e dezesseis e dois mil e vinte e um, impulsionado pelo consumo de gelatina medicinal na China.
- Em dois mil e vinte e um, foram abatidos 5,6 milhões de jumentos, e especialistas alertam que, sem fazendas de reprodução, a população pode desaparecer até dois mil e vinte e sete.
- Alternativas de conservação incluem a criação de santuários e a reintegração dos jumentos em atividades econômicas, como a agricultura familiar.
A domesticação do jumento, que ocorreu há cerca de 7 mil anos, fez desse animal um importante aliado no trabalho rural, especialmente no nordeste brasileiro. No entanto, a espécie enfrenta um grave risco de extinção, com uma redução de 94% no rebanho nacional desde 1996, segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.
Um relatório de 2024 da The Donkey Sanctuary revelou um aumento alarmante de 160% na demanda por pele de jumentos entre 2016 e 2021. Esse crescimento é impulsionado pelo consumo de uma gelatina medicinal na China, conhecida como eijao, que resulta no abate de 5,6 milhões de jumentos anualmente. Especialistas alertam que, sem fazendas de reprodução, a população local pode desaparecer até 2027.
Impactos da Demanda
Durante o 3º Workshop Jumentos do Brasil, realizado em Maceió, especialistas discutiram a situação crítica da espécie. O professor Adroaldo Zanella, da Universidade de São Paulo (USP), destacou que a situação é preocupante em nível global. Um estudo de 2021 já havia indicado que o Brasil não possui fazendas de reprodução, o que agrava o problema. A previsão é que, se a demanda continuar, 6,8 milhões de jumentos sejam abatidos até 2027.
Além do impacto na população, o abate em massa gera questões de bem-estar animal. Pesquisas indicam que muitos jumentos destinados ao abate apresentam sinais de abuso, má-nutrição e negligência. A atividade de criação e abate é considerada extrativista e insustentável a longo prazo.
Alternativas para a Preservação
Diante desse cenário, alternativas de conservação estão sendo debatidas. Propostas incluem a criação de santuários em áreas remotas e a reintegração dos jumentos em atividades econômicas, como a agricultura familiar e a “jumentoterapia”. O comércio de eijao, que movimenta cerca de US$ 6,4 bilhões anualmente, tem gerado uma exploração intensa da espécie.
A situação é crítica em outros países, como o Egito, que quase perdeu toda a sua população de jumentos. A União Africana já aprovou uma moratória de 15 anos para o abate comercial. A luta pela preservação dos jumentos no Brasil continua, com a esperança de que a conscientização e a legislação possam mudar o rumo dessa história.
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