Em apresentar a relação entre Elenice e Tom, a novela das nove da TV Globo expõe um padrão reconhecido por psicólogos: controle que se disfarça de cuidado. A trama, em exibição desde maio, gira em torno do casamento da dupla, cercado de tensões que passam despercebidas no dia a dia.
Elencice é retratada como mulher generosa que vive sob pressão de um relacionamento abusivo, enquanto Tom atua como provedor e diretor da vida da esposa, impedindo-a de trabalhar. A história destaca como esse controle pode se confundir com afeto, crescendo aos poucos sem que a vítima perceba.
Sinais precoces
Para a psicóloga Karen Scavacini, os primeiros sinais costumam aparecer disfarçados: pressa para controlar a rotina, críticas veladas e ciúmes tratadas como prova de amor. A dificuldade de reconhecer esses comportamentos decorre de uma compreensão cultural que normaliza esse padrão.
Diferença entre conflito e toxicidade
Segundo Scavacini, não é a ausência de conflito que define saúde ou toxicidade, mas os efeitos do que ocorre após o atrito. Em relacionamento tóxico, o vínculo gera medo, insegurança e diminuição da pessoa, enquanto o saudável privilegia diálogo e respeito.
Fatores de vulnerabilidade
Baixa autoestima, histórico de abusos, isolamento social e dependência financeira aparecem como fatores que ampliam a vulnerabilidade a dinâmicas de controle. No caso de Elenice, a perda de autonomia financeira é um pilar que sustenta o desequilíbrio.
Controle versus cuidado
Conteúdos que aparentam afeto, quando visam restringir escolhas, configuram controle. Tom, ao impedir Elenice de trabalhar e se colocar como único provedor, exemplifica a retirada de autonomia e de redes de convívio.
O papel das redes e de terceiros
A hiperconectividade facilita a vigilância por meio de mensagens e redes sociais, ampliando cobranças por respostas rápidas e controle de vida pessoal. A especialista aponta riscos de uma disponibilidade constante imposta pela tecnologia.
Como agir diante de sinais
Quando alguém percebe sinais em terceiros, a orientação é abordar com cautela, sem julgamentos ou imposições. Em situações de violência ou risco imediato, a recomendação é buscar ajuda e denunciar.
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