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Perda de água ameaça a cultura dos Yaqui no México

Com o rio Yaqui secando, cultivo, fauna endêmica e rituais Yaqui enfrentam risco de desaparecimento, comprometendo até a dança tradicional

Young traditional dancers wearing ténabari around their ankles perform the danza del pascola y venado (the dance of the pascolas and the deer). Image by Mario Luna Romero.
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A seca e a retirada de água do rio Yaqui colocam em risco a sobrevivência da tribo Yaqui, no noroeste de Sonora, México. Sem o fluxo do Yaqui, a produção de alimento e a criação de gado — sustento principal — deixam de ocorrer. Além disso, a cultura Yaqui está ameaçada.

Mario Luna Romero, que cresceu próximo ao leito, relembra antigas celebrações do San Juan Bautista em Vícam Pueblo. O rio antes enchia a região com plantas e animais, como mesquite, alamo e junça gigante, hoje cada vez mais raros.

O rio está desviado em grande parte por barragens de concreto que conduzem o abastecimento para cidades distantes. Nos últimos 50 anos, o caudal mal atinge as áreas Yaqui, piorando com a seca prolongada e um sistema hídrico já sobrecarregado.

Impacto cultural e ecológico

Em 2015, antropólogos já alertavam que a extração de água e o ressecamento do leito afetariam tradições, rituais e a vida cotidiana Yaqui. A bacia atende menos água, com capacidade das barragens em apenas 10,9%.

José Luis Moctezuma, do Instituto Nacional de Antropologia e História, afirma que a falta de água força mudanças nas práticas de cultivo, na alimentação e nos rituais. Isso aumenta a dependência de alimentos processados e traz riscos à saúde.

Cerca de 7 mil hectares de terras Yaqui sofrem salinização, prejudicando absorção de água e o crescimento de plantas. A contaminação de fontes restantes também é apontada como problema ligado ao manejo de resíduos e ao uso de agroquímicos.

A escassez de água prejudica não só culturas alimentares tradicionais, mas também a construção de habitações cerimoniais com plantas como mesquite, alamo e junça gigante. Sem água limpa, a produção de materiais cerimoniais diminui.

Ameaça à mariposa quatro espejos

A redução de água coloca em risco a mariposa de quatro espejos, endêmica da região. As cocas são usadas em cerimônias Yaqui para formar o ténabari, instrumento musical em danças tradicionais. Com menos chuva, a produção de casulos cai drasticamente.

Yahel Ulises Estrella Ríos, da Yo’o Joara Cultural Center, explica que a cocoonagem se tornou cada vez mais rara. Em anos de chuva, a produção pode chegar a mais de 2.000 casulos; em anos secos, poucas dezenas são encontradas.

A planta que serve de alimento aos casulos, sangregado, também está ameaçada pela falta de água. Sem alimento adequado, a reprodução da mariposa diminui e, por implicação, a prática do ténabari fica comprometida.

Membros do Centro Cultural destacam que, se as condições não melhorarem, a mariposa pode desaparecer em décadas. A ideia é ampliar a conscientização e promover a preservação da fauna e da cultura Yaqui.

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