O uso de aplicativos de monitoramento de saúde, como contadores de calorias e relógios inteligentes, tem crescido significativamente, refletindo um aumento no interesse por saúde e fitness. No entanto, estudos recentes alertam que essa prática pode agravar transtornos alimentares, especialmente entre usuários vulneráveis.
Pesquisas indicam que a obsessão por registrar dados pode desencadear comportamentos compulsivos, levando à desconexão dos sinais corporais. A psicóloga Patricia Vieira da Cunha Xavier destaca que indivíduos com transtornos alimentares, como anorexia, tendem a desenvolver uma fixação em metas e recompensas, o que compromete sua autonomia.
A psiquiatra Veruska Lastória, do Proata (Núcleo de Atendimento aos Transtornos Alimentares da UNIFESP), ressalta que o uso desses aplicativos pode ser benéfico quando supervisionado por profissionais. Ela enfatiza que o acompanhamento deve promover a autonomia e a consciência, evitando a vigilância punitiva. Para usuários com histórico de transtornos alimentares, a obsessão por números pode resultar em culpa e comportamentos prejudiciais.
Estudos como o publicado em 2017 no periódico “Eating Behaviors” mostram que o uso de aplicativos de contagem de calorias está associado a comportamentos de restrição alimentar e obsessão com o IMC, especialmente entre mulheres. Outro estudo de 2018 revela que 30% dos participantes acreditam que o uso de contadores de calorias contribuiu significativamente para seus transtornos alimentares.
Esses dados indicam que, embora os aplicativos possam auxiliar na saúde, seu uso deve ser cauteloso, especialmente entre aqueles com predisposição a transtornos alimentares. A desconexão de sinais como fome e saciedade pode exacerbar compulsões e levar a recaídas, tornando essencial o acompanhamento profissional.
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